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Praticar atividade física em ambiente poluído não é o ideal | Paulo Saldiva

Praticar atividade física em ambiente poluído não é o ideal | Paulo Saldiva

Paulo Saldiva comenta estudo realizado pela Escola de Educação Física e Esporte da USP, o qual mostra que se exercitar em meio poluído reduz alguns dos benefícios advindos da prática da atividade física, mas lembra que o sedentarismo é sempre pior

Todos sabem que o exercício físico faz bem, assim como todos deveriam saber que a poluição faz mal. Então, até que ponto exercitar-se ao ar livre, num ambiente poluído, pode causar danos à saúde? A atividade física exige que respiremos mais profundamente em busca do oxigênio necessário para aquele determinado exercício e, com isso, aumentemos a dose de poluição que inalamos. Um estudo publicado por uma equipe da Escola de Educação Física e Esporte da USP, comparando a prática da atividade física num ambiente poluído e num ambiente saudável, mostrou “que à medida que o exercício aumenta e o tempo de exposição aumenta, alguns dos benefícios conseguidos pelo exercício, como redução de pressão arterial e a redução de algumas proteínas que ativam o sistema inflamatório, são afetados”.

O conselho do professor Paulo Saldiva para os praticantes de esportes é que se exercitem em lugares de menos movimento ou em horários de menor trânsito de veículos. De todo modo, diz ele, a pior situação é você não fazer exercício nenhum e ficar respirando somente a poluição. “Porque não é o exercício que expõe à poluição, é o viver numa cidade com as características de São Paulo, que tem níveis de poluição que podem ser prejudiciais à saúde.”

Fonte: Jornal da USP por Paulo Saldiva

O professor Paulo Saldiva é autor do livro Vida urbana e saúde

Somos um país urbano: 84% da população brasileira concentra-se em cidades e ao menos metade vive em municípios com mais de 100 mil habitantes. Mas a vida urbana não traz apenas novas oportunidades. Ela propicia doenças provocadas por falta de saneamento, picadas de mosquitos, poluição, violência, ritmo frenético… E tudo isso não ocorre mais apenas nas grandes cidades, mas também nas médias e mesmo pequenas, quase sempre negligenciadas pelo poder público e pelos próprios cidadãos. Mas, afinal, o que fazer para ter boa qualidade de vida nas cidades? Assim como o médico deve pensar na saúde dos seus pacientes – e não apenas em tratar determinada doença –, uma cidade saudável é aquela em que seus cidadãos têm boa qualidade de vida. E o médico Paulo Saldiva, pesquisador apaixonado pelo tema, mostra que é possível, sim, melhorar e muito o nosso dia a dia. 

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