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Em tempos de pandemia, quais são os seus planos? | Rubens Marchioni

Em tempos de pandemia, quais são os seus planos? | Rubens Marchioni

A PANDEMIA É um fato que não pode ser negado sem que se pague um alto custo pela irresponsabilidade. Os presidentes da Inglaterra e Estados Unidos já se deram conta disso. Não brincam mais em serviço. O mesmo não aconteceu na Itália. E ameaça uma reprise no Brasil, se Bolsonaro não se der conta do risco a que expõe a nação. Do ponto de vista legal, a negligência pode custar caro para o chefe do Executivo.

A pandemia reduz, ao menos temporariamente, a liberdade pessoal. Ora, essa interrupção em nosso direito de ir e vir, essencial à vida humana, causa transtornos em níveis individual e social. Mexe profundamente com o aspecto emocional das pessoas, confinadas em suas casas, em condições para as quais não foram treinadas. E atinge a economia, que pode entrar em colapso. Produção parada. Consumo inexistente. Dinheiro preso, em casa ou no banco. Produção parada… – o círculo é vicioso.

Tudo leva a crer que ela deve ficar em segundo plano. Ao menos porque gente morta não tem necessidades e desejos. Não compra. Não consome. Sem contar que, com trabalho e esforço, a economia se recupera. Mas as pessoas que morrerem devido à imprudência pessoal ou do poder quanto à saúde, estas não voltam mais. Tudo somado, temos o retrato em branco e preto de uma situação caótica. Não existe o melhor. O que temos é apenas o menos ruim.

A Covid-19, como tal, não pode ser questionada. Ela não pensa. Não sabe o que faz. Não tem a noção de causa e consequência. Não entende de moral. Mas as pessoas que lidam com o problema, em Brasília ou na minha casa, estas podem ser advertidas. Se a ciência, com todo conhecimento produzido a respeito de assuntos ligados à saúde e bem estar, recomenda o isolamento social, na sua forma horizontal, isso é o que deve ser feito. Ponto. Mesmo que o presidente da república, Jair Bolsonaro, profundo desconhecedor do assunto, distorça as afirmações do Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, para justificar uma posição causada pela cegueira ética, o fim do isolamento social.

A solução é ficar em casa. Somente assim vamos evitar o colapso do sistema na área da saúde, devido ao aumento do número de infectados e mortos em um tempo curto demais para ser controlado. Ou seja, vamos perder as rédeas de todo esse processo. E então as consequências serão imprevisíveis. Não nos esqueçamos de que essa situação é nova para todos. Não fomos treinados para um cenário de tamanha magnitude em seu poder de destruição e transformação. Brigas políticas? Disputa de poder? Isso tudo é secundário. Quem tiver o mínimo de bom senso não vai precisar de muito tempo para se dar conta disso.

Como encarar o isolamento sem entrar numa crise pessoal das mais profundas, com direito a depressão, irritabilidade etc.? É preciso ter serenidade. Como disse, a pandemia está aí, não há como fugir ou negar o fato. O que conta, agora, é o que vamos fazer com tudo isso. Nesse sentido, precisamos, imediatamente, criar pequenos projetos pessoais para desenvolver nesse período de retiro forçado e sem prazo para terminar.

Aqui lembro uma experiência vivida na juventude, durante uma excursão escolar. Em dado momento, distanciei-me do grupo. E comecei a escalar um pequeno morro. A certa altura, lembrei-me de que tinha problemas com… altura. Havia chegado a hora de eu sair daquela situação perigosa.

No entanto, dois desafios questionavam a minha capacidade de agir estrategicamente. Primeiro: se olhasse para cima, pensando em chegar ao topo e gritar pedindo socorro, antes de chegar lá a tontura me derrubaria – eu tinha consciência da distância que havia me colocado do lugar seguro. Segundo: se olhasse para baixo, mirando o ponto para onde eu devia voltar e encontrar segurança, teria o mesmo problema. De cima ou de baixo, uma queda me espreitava.

Única saída, lição aprendida em poucos minutos: olhar apenas para aqueles centímetros que estavam bem perto dos meus olhos. Deixar de lado o fato de que havia “em cima” e “embaixo”. E ir descendo, passo a passo, cautelosamente, até chegar à terra firme.

Hoje, se eu olhar para cima, pensando no topo da crise gerada pela Covid-19, serei derrubado pelo medo e ansiedade. Se olhar para baixo, para a condição normal e tranquila, vou enfrentar o mesmo problema, porque sei o quanto estamos longe de uma situação estável – não, nós não voltaremos ao que era. Então procuro manter a serenidade, os olhos voltados para o momento, sem lamentar a perda da tranquilidade e sem sofrer antecipadamente por possíveis dificuldades que certamente virão. A cada dia bastam os seus problemas.

Paralelamente a isso, criei um programa de atividades que também inclui: ler, escrever artigos de rotina, trabalhar no próximo livro, projeto que há tempos vinha reclamando mais dedicação de minha parte, e desenvolver um curso de Escrita criativa online. Isso tudo, com o apoio da metodologia Logos Creative. O recurso, de eficácia comprovada, potencializa o trabalho de encontrar ideias, redigir e editar um texto, ou de dar assessoria nessa área. Está funcionando. Sempre funciona. Gosto de ser o seu criador. Quais são os seus planos para as próximas quinzenas?


RUBENS MARCHIONI é palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Eleito Professor do Ano no curso de pós-graduação em Propaganda da Faap. Autor de Criatividade e redação, A conquista Escrita criativa. Da ideia ao texto[email protected]  — https://rumarchioni.wixsite.com/segundaopcao