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Noah Adamia, o sniper soviético morto um dia antes de perder a batalha

Noah Adamia, o sniper soviético morto um dia antes de perder a batalha

Esse franco-atirador é considerado um herói da URSS por sua participação na morte de mais de 200 alemães durante o cerco de Sebastopol

Noah Adamia, o sniper soviético morto um dia antes de perder a batalha
Noah Adamia – Wikimedia Commons

Um dos maiores atiradores de leite do front soviético na Segunda Guerra foi Noah Patrovich Adamia, um georgiano integrante da Marinha da URSS, hoje considerado herói russo. Participando da importante batalha de Sebastopol, ele é creditado pela morte de pelo menos 200 soldados alemães, antes de encontrar um fim trágico.

Adamia nasceu no início da Era Soviética, ainda em 1917, numa aldeia de camponeses. Estudando em Tbilisi, ele entrou aos 21 anos na Marinha Soviética e se especializou em artilharia antiaérea, servindo nas defesas costeiras na região do Cáucaso. Passando a servir em Odessa (Ucrânia), ele se formou na Escola Naval Militar, atingindo inicialmente o posto de comandante de pelotão.

Quando começou a guerra no front oriental, em 1941, Noah se dispôs ao esforço bélico, sendo enviado às linhas de frente nas batalhas contra o avanço nazista avassalador. Porém, seu maior destaque foi como atirador de elite da campanha, depois que se demonstrou bom com o rifle ao se voluntariar. Rapidamente, foi trazido de volta à base para treinar 70 novos snipers da 7ª Brigada Marinha, em Sebastopol.

Noah Adamia, o sniper soviético morto um dia antes de perder a batalha
Rifle soviético Simonov PTRS-41, o mesmo usado por Adamia / Crédito: Wikimedia Commons

Com um rifle Simonov PTRS-41, ele inicialmente ficava em postos elevados, mas logo partiu para uma estratégia mais ativa, buscando seus alvos na cidade. Ele uma vez afirmou a um jornal soviético: “Os atiradores de elite alemães eram muito bons. Então eu me perguntei. Por que não deveria ser capaz de me tornar um bom atirador de elite também?”. Calculista, ele realizava estimativas precisas de trajetória e pontaria a partir de vento e distância para um tiro preciso.

Ele também era um tático leitor de ambiente, conseguindo elaborar estratégias pautadas na identificação de posicionamentos dos inimigos a partir da visualização de latrinas e trincheiras e, assim, conseguiu atingir alvos com maior eficácia. Sua atenção e precisão tiveram origem numa prática apaixonada de caça desde a juventude.

Treinando eficientes atiradores, os formou em dois meses. Sua credibilidade aumentou imensamente, principalmente por já ter na conta a morte de mais de 100 nazistas e o abatimento de dois tanques alemães. Então, foi enviado para o interior de Sebastopol, num momento em que a cidade era palco de uma grande batalha, decisiva para o avanço de Hitler.

Lá, enfrentou o cerco alemão, liderando uma equipe de 11 franco-atiradores. Uma sangrenta batalha se seguiu e os soviéticos conseguiram, apenas com os snipers, matar mais de 100 inimigos. Do lado de fora do cerco, os soviéticos também lutavam.

Noah Adamia, o sniper soviético morto um dia antes de perder a batalha
Rifle soviético Simonov PTRS-41, o mesmo usado por Adamia / Crédito: Wikimedia Commons

A ofensiva alemã era extremamente poderosa, unindo a blitzkrieg e infantaria pesada, e o avanço nazista não conseguia ser parado, enquanto o grosso do esforço soviético migrava emergencialmente do Leste (fronteira com o Japão) desde a Operação Barbarossa. Adamia manteve seu posto e chegou a mais de 200 mortes em sua atividade, mas a força da Alemanha traçou seu destino.

Enquanto mais de 60 mil militares soviéticos não dispensaram o campo de batalha, Noah atirava a partir de um posto na Baía Kamysheva. Naquele local, sofreu com tiros vindos do lado alemão e foi morto em batalha. O fato ocorreu apenas um dia antes dos soviéticos perderem a batalha e a cidade de Sebastopol ser completamente dominada pela Wehrmacht.

Considerado um herói no Exército Vermelho e na Marinha, ele foi enterrado de maneira improvisada, mesmo que honrosa, na própria cidade, antes da vitória do cerco alemão. Junto a 86 soldados comunistas mortos em batalha, recebeu homenagens e foi velado.

Fonte: Matéria publicada no Portal Aventuras na História