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Mais antiga que as pirâmides e Stonehenge

Mais antiga que as pirâmides e Stonehenge

Mais antiga que as pirâmides e Stonehenge: conheça a tumba de Newgrange. Localizada na Irlanda, construção possui tantos mistérios quanto qualquer outro monumento.

Mais antiga que as pirâmides e Stonehenge
A tumba de Newgrange – Tjp finn via Wikimedia Commons

O mundo é repleto de monumentos antigos que, além da sua importância atemporal, ainda são permeados de muito mistério. No Egito, por exemplo, há tumbas e pirâmides que, vira e mexe, nos presenteia com achados que são verdadeiras conexões com o passado. 

Também é impossível não citarmos a colossal Stonehenge, na Inglaterra, que até hoje gera questionamentos sobre seu significado e construção. Fora esses exemplos, há um outro bem mais antigo e excepcional, embora não tão comentado quanto os já citados. 

Conheça Newsgrange, a enorme tumba na Irlanda que foi construída por volta de 3.200 a.C. — em termos comparativos, a Grande Pirâmide de Gizé e Stonehenge foram concebidas em 2.500 a.C. e 3.000 a.C., respectivamente. 

Um pedaço da história da Irlanda
Newgrange fica localizada no Brú na Bóinne, nome em gaélico para o ‘palácio’ do Rio Boyne, situado na província de Leinster, que possui cerca de 5 quilômetros quadrados de extensão. 

A região abriga uma centena de monumentos antigos, bem como outras duas grandes tumbas: Knowth e Dowth. 

Característico do período Neolítico, Newgrange é um exemplo das chamadas “tumba de passagem” — o nome se dá pelas longas passagens cobertas que conduzem até a pequena entrada para o centro da construção.

Na Irlanda, esse tipo de monumento é frequentemente hemisférico e, geralmente, fica no topo de uma colina. 

Feito de pedras de quartzo e granito das montanhas irlandesas, Newgrange abriga apenas uma única tumba, com os restos mortais de cinco pessoas. Além disso, joias de ouro do período romano também foram encontradas por lá.

Mas qual o significado de Newgrange?
Essa é uma das perguntas mais enigmáticas sobre o local, afinal, os antigos não deixaram um grande registro arqueológico sobre o período.

Uma das grandes anomalias do Vale do Boyne é o contraste entre os magníficos e duradouros monumentos rituais e as evidências um tanto efêmeras da vida diária”, disse o professor de arqueologia Muiris Ó Súilleabháin, ao Irish Times. 

“Não há evidências de um assentamento em grande escala como explicaria a organização e sofisticação indicadas pelos túmulos. Portanto, o povo do Neolítico Médio permanece esquivo”, completa.

Entretanto, isso não impediu que peculiaridades da construção fossem descobertas. Por lá, todos os anos, ao nascer do sol no solstício de inverno — a data com o dia mais curto e a noite mais longa do ano —, a luz do sol brilha através de uma abertura cirurgicamente colocada entre as paredes de pedra, o que permite que o longo corredor do túmulo fique iluminado.

Mas qual o motivo disso? Segundo explica matéria do site All That Interesting, apesar de conter restos mortais, nem todo túmulo de passagem servia apenas como local de descanso de grandes pessoas da sociedade da época. Muitas vezes, espaços assim eram usados para rituais anuais. 

Apesar de não se saber ao certo seu significado, historiadores especulam que Newgrange possa ter recebido diversas pessoas no solstício, que se reuniam para dar boas-vindas ao ‘renascimento’ do Sol.

“Achamos que, para as pessoas que o construíram, era muito mais do que apenas um túmulo. Teria sido um lugar onde as pessoas se reuniam, teria sido um lugar onde os ancestrais fossem homenageados. É um símbolo da riqueza do povo, e é provavelmente um lugar onde eles intercederam entre os vivos e os mortos”, explica o gerente do Centro de Visitantes Brú na Bóinne, Clare Tuffy, à CNN.

Outro fato curioso é que pedras maciças da edificação possuem desenhos, Na “Pedra da Entrada”, localizada onde o próprio nome sugere, há marcações de redemoinhos e padrões geométricos. 

A riqueza de detalhes presente na fundação não deixa dúvidas de sua importância para a comunidade da época. Hoje, o sítio é visitado por pessoas que buscam conexões místicas com a Irlanda.

Anualmente, no período pré-pandemia, centenas de pessoas se reuniam por lá a cada Solstício de Inverno, embora poucas fossem permitidas a ver o sol brilhar através da abertura da tumba.

Mesmo assim, o evento era celebrado como, muito provavelmente, feito antigamente: um espírito de coletividade sendo maior do que qualquer coisa.

Fonte: Aventuras na História