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Grafia: a família acima de tudo e de todos | Dad Squarisi
Xô, dúvida!

Grafia: a família acima de tudo e de todos | Dad Squarisi

“Tal pai, tal filho”, prega a regra que põe a família acima de tudo. Em bom português: as palavras derivadas seguem a primitiva. Umas e outras mantêm a grafia original sem tossir nem mugir:

trás, atrás, traseiro, atraso, atrasar, atrasado

casa, casinha, casebre, casarão, caseiro, casamento, acasalar

s, gasolina, gasoduto, gasoso, gaseificado

cruz, cruzar, cruzinha, cruzada, cruzeiro

exame, examinho, examinador, examinar, examinado

As palavras, como as pessoas, não são todas santas. Entre elas, existem as que pulam o muro. Formam, então, duas famílias. Uma erudita, vinda lá do latim. Outra popular, nascida depois que a língua-mãe se transformou em português. Sobram exemplos de useiros e vezeiros da prática da duplicidade.

Num caso e noutro, a família canta de galo. Se o nobre faz filhos, a criança terá sangue azul. Se o plebeu gerar meninos e meninas, a moçada não negará a raça. Sangue vermelho lhe correrá pelas veias. Veja o exemplo do clã adocicado. Doce, docinho, docemente, adocicar, adocicado, dócil, docilidade são gente como a gente. Dulcificar, dulcificação, dulcificante, dulcífico, dulcíssimo, dulcíssono exibem cetros e coroas.

Moral da história: na língua impera a democracia. A lei da família vale pra todos.

Fonte: Blog da Dad


Dad Squarisi transita com desenvoltura pelo universo da língua. É editora de Opinião do Correio Braziliense, comentarista da TV Brasília, blogueira, articulista e escritora. Assina as colunas Dicas de Português e Diquinhas de Português, publicadas por jornais de norte a sul do país; Com Todas as Letras, na revista Agitação, e Língua Afiada, na Revista do Ministério Público de Pernambuco. Formada em Letras, com especialização em Linguística e mestrado em Teoria da Literatura, concentra o interesse, sobretudo, na redação profissional – o jeitinho de dizer de cada especialidade, cada grupo, cada mídia. Mas é tudo português. A experiência como professora do Instituto Rio Branco, consultora legislativa do Senado Federal e jornalista do Correio Braziliense iluminou o caminho dos livros Dicas da Dad – Português com humor, Mais dicas da Dad – Português com humor, A arte de escrever bem, Escrever melhor (com Arlete Salvador), Redação para concursos e vestibulares (com Célia Curto), Como escrever na internet, 1001 dicas de português – manual descomplicado, Sete pecados da língua, publicados pela Contexto, além de Superdicas de ortografia, Manual de redação e estilo para mídias convergentes, dos Diários Associados, e de livros infantis – de mitologia e fábulas.