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Coronavírus: a gente não precisa disso | Rubens Marchioni
Coronavírus: a gente não precisa disso

Coronavírus: a gente não precisa disso | Rubens Marchioni

Do ponto de vista da saúde, até 2002 caminhávamos em relativa segurança. Mas então chegou, Made in China, uma doença que tirou a nossa paz: a SARS. Mesmo tendo sido contida, ela se espalhou pelo mundo em poucos meses. O vírus é transmitido por gotículas que penetram no ar quando alguém infectado tosse, espirra ou fala. Sintomas: febre, tosse seca, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade para respirar. Perspectiva de tratamento? Nenhuma. Somente cuidados médicos paliativos. Agora estamos às voltas com o novo coronavírus. De novo, é importante a criação de programas de prevenção e combate à nova ameaça. Isso mesmo, vamos começar tudo de novo.

Primeiro é preciso identificar as causas do surgimento da doença e as possíveis formas de erradicação. E elaborar um planejamento em que todas as forças envolvidas estejam devidamente engajadas.

Afinal, para se obter resultados é indispensável planejar com objetivo específico, mensurável, adequado, realista e temporal, isto é, com prazo para ser concluído. Depois disso, executar, verificar os resultados obtidos até então e fazer os devidos ajustes para se chegar ao máximo em termos de satisfação. 

A preparação e a fabricação de uma vacina requer o envolvimento de operações complexas. Isso acontece tanto do ponto de vista da produção, quando da sua logística, a distribuição. Sobretudo devido à urgência de que ela esteja acessível ao maior número de pessoas, principalmente nas regiões mais vulneráveis do planeta. Quais os fatores envolvidos?

A fim de dar corpo a todo esse projeto, todos os esforços, em nível internacional, devem ser reunidos. Sobretudo aqueles relacionados aos recursos científicos, para acelerar o encontro de respostas eficazes para o problema. Matéria-prima e tecnologia para a produção da vacina estão disponíveis? Caso existam, estão acessíveis aos laboratórios químicos ou serão mantidos longe do alcance daqueles que mais precisam, esperando uma boa oferta para se pensar no início de um longo processo de negociação?

Quanto à habilidade dos envolvidos na fabricação da vacina, não parece haver dúvidas sobre a existência de profissionais capacitados. Gente com experiência acumulada em situações semelhantes. Tudo de que precisam é dispor dos meios – produtos químicos e parque industrial à altura dessa exigência.

O produto final, composto basicamente por acompanhamento médico e disponibilidade de vacina, além de outros medicamentos necessários para atacar o problema, precisa se tornar uma realidade.

Isso terá um custo – sempre tem. O financeiro e o do esforço humano. Afinal, pessoas de diferentes campos vão se empenhar para o encontro urgente de respostas que não sejam apenas paliativas. E ele será pago por nós, pessoas físicas e jurídicas, governo e instituições. De um jeito ou de outro, a conta vai para todos aqueles que veem nos assuntos pertinentes ao ser humano algo de relevante e digno de atenção.

Como em toda operação dessa magnitude, existe sempre um conjunto de forças que jogam a favor, e outras que não medem esforços para que se obtenha resultado zero no conjunto da obra. Durante todo o tempo nos confrontamos com pontos fortes e fracos, e estes últimos não podem ser ignorados, devido ao seu papel de concorrentes, diretos ou indiretos.

Por outro lado, convém lembrar que entrar numa empreitada dessa natureza requer um posicionamento claro de todo o país em relação ao desafio. Como ele deseja ser visto pela comunidade internacional? Basta a imagem de alguém que fez algum esforço, porque ao menos tentou? Ou a de quem não aceita qualquer coisa que não seja empenhar todos os esforços na busca de soluções concretas, ainda que isso tenha um alto custo financeiro e humano?

No passado tivemos um cenário saudável, livre de doenças dessa natureza. O quadro, no momento, preocupa, e não é sem razão. Não conhecemos ao certo a nossa capacidade de lidar com esse problema – será que em algum momento seremos vencidos por um vírus estressado?

O futuro não precisa repetir o presente. Ele pode ter outros traços. Precisamos acreditar nisso, para reunir os meios que nos tirarão das garras do coronavírus. Um projeto utópico? Talvez. Mas sempre será melhor, mais eficiente do que jogar a toalha.

E é bom que se lembre de que é impossível vencer uma epidemia, ou quase isso, de coronavírus, sem um competente trabalho de comunicação. Primeiro, é preciso considerar os traços do público-alvo, uma vez que de outra forma seria quase impossível falar a sua língua e convencê-lo. Ora, isso vai exigir o trabalho de criar mensagens que despertem a atenção do target, provoque seu interesse e crie o desejo de agir seguindo determinada proposta. Nesse sentido, queimar energia falando apenas dos benefícios de oferecer e buscar proteção é insuficiente. Há que se ir mais longe, acionando o conjunto de valores do público.

A comunicação mais convincente, desacompanhada da posterior distribuição dos recursos médicos, como a vacina, por exemplo, resolve tanto quanto deixar tudo como está. Recursos para isso não faltam a um país que, nas eleições, fazem com que urnas eletrônicas cheguem a todos os cantos da nação. É tudo uma questão de fazer como na música segundo a qual “todo artista tem de ir onde o povo está.”   

É preciso ter atitude para se chegar a resultados satisfatórios, tanto do ponto de vista da aceleração dos resultados na produção de medicamentos, quanto na sua distribuição. Afinal, nenhuma solução é suficientemente boa se ficar trancada numa gaveta. Se depois de todo esse processo as pessoas, em todo o planeta, se sentirem seguras quanto à qualidade da sua saúde, por estarem devidamente protegidas, mesmo se deslocando desse para aquele país, e vice-versa, teremos atingido nosso resultado. Resultado ambicioso, claro. Mas possível.

Uma vez estando completo, qual o resultado desse processo? Ele merece celebração? Sempre merece. No entanto, é preciso ter consciência de que podem surgir sinais de que nem tudo foi perfeito – algo, neste mundo de meu Deus, é perfeito? E esse feedback representa um convite para a retomada de algumas etapas do processo, aquelas cujo resultado deixou a desejar. Um vírus não pode vencer uma nação, um continente, um planeta. Não foi por acaso que, durante milênios, desenvolvemos nossos recursos mentais: a gente precisava estar preparado para investidas dessa natureza. Se houver disposição, a vitória será nossa.


RUBENS MARCHIONI é palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Eleito Professor do Ano no curso de pós-graduação em Propaganda da Faap. Autor de Criatividade e redação, A conquista Escrita criativa. Da ideia ao texto[email protected]  — https://rumarchioni.wixsite.com/segundaopcao