Fechar
Superluas de junho e julho: fenômenos que geram curiosidade e confusão

Superluas de junho e julho: fenômenos que geram curiosidade e confusão

Astronomia é um assunto que quase sempre desperta interesse e curiosidade. Matérias sobre ciência, na mídia, com temática astronômica, costumam estar entre as mais acessadas pelo público – afinal, é durante a ocorrência de fenômenos astronômicos de destaque que muita gente aproveita para buscar entender um pouco melhor sobre como funciona a interessante dinâmica dos astros no nosso Sistema Solar, o nosso “endereço cósmico” no Universo.

Um desses fenômenos que chamam a atenção são as Superluas – quando se anuncia a promessa de que nosso satélite natural parecerá maior e mais brilhante que o habitual. Porém, não é incomum que algumas pessoas, antes entusiasmadas com a expectativa de observar uma Superlua, também se frustrem por não conseguirem perceber esses efeitos. Por que isso acontece? E o que é uma Superlua?

Superluas
O primeiro passo para entendermos as Superluas é recorrer à lembrança de que, ao longo do mês (na verdade, cerca de 29 dias e meio), a Lua completa um ciclo das chamadas “fases da Lua”, em que a sua face virada para a Terra apresenta diferentes padrões de iluminação solar – desde o ápice da “Lua Cheia”, quando completamente iluminada, até o extremo oposto, durante a “Lua Nova”.

Superluas de junho e julho: fenômenos que geram curiosidade e confusão

Agora, pouca gente sabe – e aqui entramos na parte curiosa do fenômeno – que a órbita da Lua ao redor da Terra não é um caminho circular, mas sim elíptico (uma forma de circunferência um pouco achatada). E, para completar, o nosso planeta não fica no ponto central desse sistema, mas em uma posição chamada matematicamente de “foco”: na prática, um pouco deslocada do centro da elipse. A consequência disso é que, ao longo do mês, enquanto a Lua percorre seu trajeto ao redor da Terra, ora ela fica mais distante, ora mais próxima.

O ponto orbital de maior proximidade da Lua com a Terra é chamado “perigeu”; o de maior afastamento é o “apogeu”. Dessa forma, quando há coincidência de ocorrer uma “Lua Cheia” ao mesmo tempo em que a “Lua” está na região do perigeu orbital, ou seja, mais perto do planeta, a Lua Cheia em questão é denominada Superlua. 

Outro fator interessante é que cada observatório astronômico pode utilizar critérios diferentes de distância entre a Terra e a Lua, no momento da Lua Cheia, para considerá-la Superlua. É por isso que tabelas de eventos astronômicos elaboradas por diferentes instituições podem não concordar acerca de quantas vezes esse fenômeno ocorre ao longo do ano (como, por exemplo, aqui e aqui). Quanto mais “frouxo” o critério, é claro, mais Superluas serão anunciadas.

Ao longo de 2022, usando o critério mais rigoroso, que se relaciona com a exigência de maiores proximidades entre Terra e Lua durante a Lua Cheia, as Superluas ocorrerão nas noites de 13 de junho e 14 de julho. Apenas para sua curiosidade, a Lua Cheia mais próxima da Terra, ao longo do ano, será a que ocorre em junho.

Interesse e frustração
Como uma Superlua é uma Lua Cheia que ocorre mais perto do nosso planeta, então é fato que ela terá sua aparência modificada, tornando-se cerca de 7% maior e 15% mais brilhante que uma Lua Cheia que ocorra a uma distância intermediária entre o perigeu e o apogeu orbital. É exatamente a divulgação dessa informação que costuma aquecer instantaneamente o interesse do público, fazendo as pessoas saírem às ruas e esperarem levar um “susto” ao olhar para a Lua na noite em questão.

Por outro lado, a verdade é que essas diferenças na aparência lunar não são facilmente percebidas a olho nu, afinal, como vimos, duas Luas Cheias seguidas estão separadas por cerca de 30 dias: dessa forma, infelizmente, não temos como fazer uma comparação visual direta entre uma Superlua e uma Lua Cheia “comum” anterior. Quando esse fator não é bem comunicado ao público, pode gerar frustração e confusão, pois os observadores curiosos podem acabar julgando, incorretamente, que não houve qualquer mudança na aparência da Lua.

No entanto, quem domina as técnicas para fazer fotografias astronômicas consegue capturar fotos de diferentes Luas Cheias, em diferentes condições de distância até a Terra, usando a mesma configuração de ampliação da imagem, para mostrar com clareza que a mudança no tamanho lunar aparente realmente ocorre

Curiosidades astronômicas
Portanto, a lição por trás das Superluas é que, embora seja verdade que não podemos prometer um “grande fenômeno visual” para quem se propõe a observá-las, o fato é que discutir esses eventos abre oportunidades importantes para aprendermos cada vez mais sobre o céu e os fenômenos ao nosso redor. Além disso, contemplar a Lua é sempre um espetáculo.

Superluas de junho e julho: fenômenos que geram curiosidade e confusão

Aliás, se você é do tipo que olha para o céu e fica cheio de perguntas sobre como as coisas “lá em cima” funcionam, então o livro Astronomia: os astros, a ciência, a vida cotidiana é para você. Nele, mostro como os astros estão por trás da ocorrência de diversos eventos da vida diária, como as marés, as auroras, as estações do ano e as chuvas de meteoros. Saiba mais aqui.


Marcelo Girardi Schappo é formado em Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), quando cursou Astrofísica dentro da formação optativa. Tem mestrado e doutorado em Física também pela UFSC. É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) e coordenador do projeto Astro&Física, cujo objetivo é realizar a divulgação científica de temas de Astronomia, Física Geral e Física Moderna nas escolas de Santa Catarina, além de promover eventos de observações astronômicas abertos ao público. 

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.