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O Titanic esquecido: o trágico naufrágio do RMS Tayleur

O Titanic esquecido: o trágico naufrágio do RMS Tayleur

Considerada a melhor embarcação de século 18, o navio tinha como ponto final a Austrália, mas o destino tinha outros planos

Em uma noite chuvosa e de águas tempestuosas, o alarme do navio soou e os passageiros acordaram de sobressalto. Apesar de situação um tanto quanto caótica, as 650 pessoas a bordo não ficaram com medo, pois aquela era a maior e mais segura embarcação da história, pelo menos era isso que todos achavam.

Mas, após bater em um paredão de pedras, o barco afundou. Parece uma história bem conhecida, não? Contudo, não é sobre o Titanic esse naufrágio, mas sim do RMS Tayleur, que foi esquecido da história.

Construção

Em 4 de outubro 1853, em Liverpool, William Rennie não poderia estar mais orgulhoso de seu último projeto. Levou apenas seis meses para ficar pronto. Era um navio gigantesco com 230 pés de comprimento, pesando mais de 1.750 toneladas.

O Titanic esquecido: o trágico naufrágio do RMS Tayleur
O RMS Tayleur era considerado o melhor navio da época/Crédito: Wikimedia Commons 

Seu nome foi em homenagem a Charles Tayleur, dono da companhia Charles Moore & Company, que financiou a obra. A embarcação foi criada com o único propósito de levar os britânicos para as colônias na Austrália, que continham muito ouro; havia uma pressão muito grande para que ela fosse estreada.

Na sua viagem inaugural, em 19 de janeiro de 1854, Tayleur partiu de Liverpool com destino a Melbourne, na Austrália, o navio era comandando pela experiente capitão John Noble, que cuidava de uma tripulação de 71 homens que só buscavam oportunidades incríveis no outro continente, assim como os mais de 600 passageiros na embarcação. O que parecia o começo de uma grande aventura acabou como um grande pesadelo.

O erro fatal

RMS Tayleur estava muito a frente do seu tempo, foram usados os melhores materiais, tudo de primeira linha para que a embarcação fosse luxuosa e única. Mas, o que ninguém contava é que por causa desses detalhes que a tragédia aconteceria.

Todo o navio era revestido por um duro casco de ferro. O metal afetou o funcionamento das bússolas, então a tripulação que achava que estavam navegando ao sul da Irlanda, na verdade estavam ao oeste.

48 horas depois, no dia 21 de janeiro, o navio estava em um meio de um nevoeiro, uma terrível tempestade caía. Algumas pessoas a bordo começaram a se preocupar quando perceberam que a aparelhagem do navio também estava com defeito: as cordas estavam frouxas impossibilitando o controle das velas.

Sem conseguir ver por conta da neblina, o navio se chocou inesperadamente com um paredão de rochas, a cerca de oito quilômetros da baía de Dublin.

Caos em alto mar

Os passageiros começaram a entrar em desespero, e queriam sair o mais rápido dali, mas as primeiras tentativas de usar o bote salva-vidas foram frustadas, após o primeiro ser esmagado pelas rochas.

Por sorte, o navio estava muito próximo a uma ilha, a tripulação e alguns passageiros conseguiram chegar em terra firme escalando o mastro desmoronado.

Os que chegavam à costa carregavam as cordas do navio, o que possibilitou que outros chegassem também. Apesar de todos os esforços, mais de 300 pessoas morreram no naufrágio.

A embarcação afundava cada vez mais a cada minuto que se passava. No fim, só era possível ver o topo do mastro. Após horas de sofrimento, os sobreviventes foram salvos pela guarda costeira irlandesa.

Houveram vários inquéritos para tentar encontrar o culpado do acidente. O capitão Noble e companhia marítima White Star Line, que colocou o navio em alto mar, foram declarados culpados por não terem garantido a segurança, como não checar se as bússolas funcionavam corretamente e se o leme não estava frouxa. Eles foram obrigados a pagar uma bela indenização a cada passageiro. 

A empresa acabou declarando falência e foi comprada por Thomas Ismay. Seu filho J. Bruce, 60 anos após o naufrágio do RMS Tayleur lançou outro poderoso navio no oceano: o RMS Titanic e todos sabem o final dessa triste história.

Fonte: Matéria publicada no Portal Aventuras na História