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Desastre da mineração de Aberfan: O maior arrependimento de Elizabeth II

Desastre da mineração de Aberfan: O maior arrependimento de Elizabeth II

Em 1966, a rainha demorou oito dias para visitar uma escola na vila de Aberfan que havia sido atingida por um deslizamento de resíduos de mineração.

Desastre da mineração de Aberfan: O maior arrependimento de Elizabeth II
Elizabeth II em sua primeira visita a Aberfan – Divulgação

Era outubro de 1966 quando a escola Pantglas Junior foi palco de um desastre. É que, naquele mês, os alunos e professores daquela instituição na vila de Aberfan, do País de Gales, foram vítimas de um deslizamento de resíduos de mineração.

116 crianças e 28 adultos foram soterrados pela lama. Não demorou para que a infeliz notícia chegasse até os ouvidos da rainha Elizabeth II. Mas, mesmo tento conhecimento do que havia acontecido, a monarca esperou oito dias para visitar o local.

Posteriormente, a própria soberana alegou ter se arrependido de seu atraso. “Acho que Aberfan afetou profundamente a rainha quando ela foi para lá. Foi uma das poucas ocasiões em que ela derramou lágrimas em público”, disse Sir William Heseltine, o então assessor de imprensa real.

Ele também afirmou que a rainha pensou em retrospectiva que poderia ter ido lá um pouco mais cedo. Mas, para Sally Bechdel Smith, autora da biografia Elizabeth the Queen, o ato da rainha não foi baseado em frieza, e sim em praticidade.   

“Em vez disso, a rainha enviou seu marido, o príncipe Philip. O cunhado, lorde Snowdon, viajou para lá por conta própria também”, alegou a escritora. Mais tarde, Snowdon disse que aquilo foi a coisa mais terrível que já havia visto.

A visita da rainha

Mesmo que a monarca tenha certo remorso por sua visita tardia, os sobreviventes — e até mesmo os familiares das vítimas — a receberam de braços abertos.

“Quando ela chegou, estava visivelmente chateada e o povo de Aberfan gostou de ela estar aqui… Ela veio quando podia e ninguém a condenaria por não ter vindo antes, especialmente porque tudo estava uma bagunça”, comentou Jeff Edwards, um dos sobreviventes.

Para ele, mesmo que alguém tivesse algum tipo de raiva devido a ausência de Elizabeth II, foi extraviado no momento em que ela apareceu em Aberfan e chorou.

“Ainda estávamos em choque, lembro-me da rainha andando na lama”, disse uma fonte anônima da vila de Aberfan, enquanto um dos médicos recrutados para ajudar as vítimas do desastre, Mansel Aylward, afirmou que a única coisa que se lembro sobre o desastre de Aberfan foi a chegada da rainha e como ela o fez chorar.

Mais tarde, Coun Edwards, outro sobreviventes do desastre, disse que as pessoas a admiraram e tinham uma forte afinidade com ela. Entretanto, outros moradores afirmaram que nem mesmo notaram sua presença no local, não porque sua visita não era importante, mas sim pelo tamanho da tragédia que havia acontecido.

Visitas posteriores

A partir de então, Elizabeth II voltou mais quatro vezes até a escola Aberfan para prestar homenagem às vítimas da tragédia. No 50° aniversário do desastre, ela enviou uma mensagem ao povo da vila.

“Enquanto você se reúne hoje como uma comunidade para marcar cinquenta anos desde os terríveis eventos da sexta-feira, 21 de outubro de 1966, quero que saiba que está nos meus pensamentos e nos da minha família, bem como nos pensamentos da nação”, dizia a carta. 

Conheça a Inglaterra através do nosso livro Os Ingleses, dos historiadores Peter Burke e Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke (ele inglês, ela brasileira). Nos apresenta novas faces desse povo fascinante. Para além da fama do Big Ben, os ingleses legaram para a humanidade a Magna Carta – documento de 1215 que estabeleceu as bases da democracia moderna – e transformaram o mundo com sua Revolução Industrial – embora Londres tenha 8 milhões de árvores, o que faz dela a maior “floresta urbana” do planeta; isto em um país em que a jardinagem é uma obsessão nacional. 

Fonte: Matéria publicada no Portal Aventuras na História