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O ruído nosso de cada dia e os prejuízos para a saúde

O ruído nosso de cada dia e os prejuízos para a saúde

Paulo Saldiva comenta os efeitos nocivos que a poluição sonora causa aos habitantes das grandes cidades, como alterações na qualidade do sono ou na pressão arterial

Tráfego de veículos, aviões que sobrevoam as cidades, sirenes de ambulâncias ou de viaturas policiais. O ruído urbano, ao qual nos acostumamos e já nem percebemos de forma significativa, tem o poder de afetar a nossa saúde, diz o professor Paulo Saldiva, causando alterações perceptíveis do ponto de vista fisiológico, a começar por prejudicar a qualidade do sono, pois num local onde o ruído é muito alto, o sono não se aprofunda e, consequentemente, não traz o devido descanso. A poluição sonora tem também o efeito de aumentar a pressão arterial, o que afeta sobretudo os hipertensos.

O ruído nosso de cada dia e os prejuízos para a saúde

Saldiva comenta artigo publicado numa revista de medicina, a qual acompanhou durante mais de uma década pessoas que viviam em diferentes regiões, expostas a diferentes níveis de ruído. Um ruído de até 40 decibéis, muito frequente no meio urbano, está associado a um aumento no número de doenças cardiovasculares, “mais um motivo para a gente reduzir o número de veículos nas ruas, usar tecnologias redutoras de ruído e, consequentemente, tornar as nossas cidades um pouco mais humanas e mais saudáveis”.

Fonte: Jornal da USP por Paulo Saldiva

O professor Paulo Saldiva é autor do livro Vida urbana e saúde

O ruído nosso de cada dia e os prejuízos para a saúde

Somos um país urbano: 84% da população brasileira concentra-se em cidades e ao menos metade vive em municípios com mais de 100 mil habitantes. Mas a vida urbana não traz apenas novas oportunidades. Ela propicia doenças provocadas por falta de saneamento, picadas de mosquitos, poluição, violência, ritmo frenético… E tudo isso não ocorre mais apenas nas grandes cidades, mas também nas médias e mesmo pequenas, quase sempre negligenciadas pelo poder público e pelos próprios cidadãos. Mas, afinal, o que fazer para ter boa qualidade de vida nas cidades? Assim como o médico deve pensar na saúde dos seus pacientes – e não apenas em tratar determinada doença –, uma cidade saudável é aquela em que seus cidadãos têm boa qualidade de vida. E o médico Paulo Saldiva, pesquisador apaixonado pelo tema, mostra que é possível, sim, melhorar e muito o nosso dia a dia.