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Maravilhas de Brasília | Lançamento

Maravilhas de Brasília | Lançamento

O cerrado estava em festa. Ia receber novo morador. Não era um morador qualquer. Era a capital do Brasil. Por isso a escolha da casa merecia todo o cuidado. Geólogos e engenheiros fizeram estudos, cálculos e medições. Depois de viagens, visitas e debates, chegaram à conclusão de que o berço esplêndido seria do paralelo 15 ao paralelo 20.

Maravilhas de Brasília | Lançamento - cerrado

Ops! O lugar era conhecido. Em 1883, Dom Bosco, santo italiano que fundou a Ordem dos Salesianos, teve um sonho. Enquanto dormia, viajou de trem na companhia de anjos. Passaram por muitos países até chegarem a um lugar alto e plano onde havia um lago. Uma voz lhe disse que ali era a terra prometida – rica e mágica. Lá chovia leite e corria mel das pedras.

O paraíso sonhado era um planalto de 5.800km² com 1.200m de altitude. Abrigava bichos e plantas muito particulares. Tinha fartura de água. A terra produzia cereais, frutas, verduras e legumes. No céu muito azul, o Sol explodia luz, a Lua ficava ao alcance da mão, as estrelas brilhavam como diamante.

Bicharada
A notícia correu. A bicharada se alvoroçou. Papagaios, araras, tucanos, periquitos, corujas, emas, quero-queros, beija-flores, bem-te-vis bateram as asas, lavaram as penas e exibiram um show de cores, pios e gorjeios. Os urubus-reis, que são fedidos, tomaram um banho de perfume, alçaram voo e encheram o céu de elegância.

Capivaras saíram da água. As maiores cuidavam das menores. Secavam o pelo, limpavam os ouvidos e ajeitavam o bigode. O tamanduá-bandeira e o tatu-canastra, depois de se banquetearem com cupins e formigas, limparam as garras pra ficarem bem na foto. O veado-campeiro ajeitou os óculos e desfilou com os filhotes pintadinhos de branco como bâmbis.

O lobo-guará era o mais excitado. Queria se destacar dos outros animais. Qualidades tinha de sobra. Bastava realçá-las. Como? Pediu ajuda ao macaco. O símio escovou o pelo avermelhado e pediu a quatro miquinhos que escovassem as patas compridas que pareciam pernas de pau. O lobo-guará ficou um luxo. Agradecido, convidou a macacada pra um banquete de bananas. Oba!

Plantas
As plantas estavam preocupadas. Durante seis meses, o clima fica muito seco. A grama troca o verde pelo marrom. Parece que morre. Só parece, porque continua cheia de vida. Como dar alegria à cor queimada? Elas firmaram um pacto. O novo morador teria flores os 365 dias do ano. Sapucaias, jacarandás, flamboyants, quaresmeiras, sucupiras, resedás e patas-de-vaca se revezarão pra cumprir o acordo.


Nascida no Líbano, Dad Squarisi chegou ao Brasil com 6 anos. Mudou-se para Brasília em 1968, num dia de chuva – os chineses dizem que é sinal de sorte. Acertaram. Foi recebida de braços abertos pela cidade, onde fincou raízes no planalto de cujas sete maravilhas – o cerrado, as águas, o céu, o Plano Piloto, os monumentos, o paisagismo e o povo – uma sobressai: o brasiliense. Dad tem hoje o título de cidadã honorária de Brasília. Pela Contexto, é autora de A arte de escrever bem, 1001 dicas de português, Redação para concursos e vestibulares, entre outros.