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Igrejas de pedra subterrâneas de Lalibela, na Etiópia

Igrejas de pedra subterrâneas de Lalibela, na Etiópia

As impressionantes igrejas de pedra subterrâneas de Lalibela, na Etiópia. Elas foram construídas no século 12 e a ideia do então imperador era erguer uma “Nova Jerusalém” em seu próprio país.

Igrejas de pedra subterrâneas de Lalibela, na Etiópia
Uma das igrejas de Lalibela, na Etiópia – Wikimedia Commons

O cristianismo está presente na Etiópia a muito mais tempo que se pode imaginar. Ela foi um dos primeiros países a adotar a religião, já durante a metade do século 4, e a fé permanece como característica importante da nação.

As raízes cristãs da Etiópia são tão antigas que ela abriga algumas das mais peculiares igrejas de todos os tempos. A maioria das capelas construídas no país datam do período entre os séculos 7 e 13, mas as mais interessantes são as que são datadas do século 12.

Na região montanhosa de Lalibela, existem 11 igrejas que foram esculpidas diretamente das rochas e de maneira subterrânea. A forma com que elas foram construídas é totalmente diferente de qualquer coisa já vista: as estruturas monolíticas foram escavadas a pelo menos 40 metros em baixo da montanha. 

Além de estarem mergulhadas na Terra, elas possuem algumas aberturas em formato de cruz, que fazem com que o sol possa penetrar no interior das capelas únicas. E provavelmente não há nada dentro da instalação. É possível perceber que a área interna da capela é oca.

Bet Medhane Alem, por exemplo, já apareceu em livros de recordes por ter sido construída em um único monólito, sendo considerada a maior do tipo. Existe ainda a Igreja de São Jorge em Lalibela, famosa por seu formato de desenho cruciforme singular. Todas elas estão no trecho do rio Jordão do país. 

A narrativa mais aceita em torno do desenvolvimento das igrejas é que o imperador Lalibela, que deu nome à cidade da Etiópia, começou a construí-las ao longo do século 12, com a ideia de criar uma “nova Jerusalém” em seu país. Ele tinha como intenção acolher os cristãos de sua nação com uma Terra Santa em terras etiópias.

Acredita-se que o pensamento sobre construir monumentos religiosos de tamanha grandiosidade não tenha surgido do nada. Muitos pesquisadores afirmam que o rei teria viajado para Jerusalém em torno do ano 1187 a.C.. Isso aconteceu pouco antes do território ser conquistado pelos muçulmanos que interromperam as peregrinações cristãs.

O governo de Lalibela foi dos anos 1181 até 1221 e seu maior legado provavelmente foram as impressionantes igrejas de pedra submersas. Elas continuam sendo pontos turísticos e religiosos importantes na região, o que faz com que muitos peregrinem a pé até o local. O local recebe até 100 mil visitantes a cada ano.

Atualmente, muitas pessoas já não seguem mais o Cristianismo Ortodoxo Etíope, que moldou o pensamento religioso da região por muitos anos e fez com que as igrejas fossem construídas em primeiro lugar. Ainda assim, elas permanecem como um ponto notável do país, que atrai pesquisas e turistas. 

Por isso, os monumentos foram considerados como patrimônios mundiais da UNESCO, logo no começo desse projeto. Em 1978, elas foram algumas das primeiras construções a serem protegidas pela ONU. O turismo, no entanto, trouxe consequências para as igrejas, que começaram a sofrer com a erosão e degradação ao longo dos anos.

Entre algumas das mais impressionantes construções do mundo estão o Stonehenge, no Reino Unido, a Grande Muralha da China, as pirâmides do Egito, Chichén Itzá, no México, entre muitas outras. As igrejas subterrâneas de Lalibela, na Etiópia, com certeza entram nessa lista.

Fonte: Aventuras na História