Fechar

Gostaria de conversar com meu filho sobre o uso de drogas. Qual a melhor maneira de abordar o assunto?

CAPA ALCOOL E DROGAS NA ADOLESCENCIA_WEB

Antes de qualquer coisa, tenha em mente que quando o assunto é drogas, os pais nunca são a única fonte de informação, portanto a melhor coisa é informar-se bem sobre o tema (porque seu filho com certeza já o fez). Procure fontes seguras e confiáveis para não perder a oportunidade quando ela aparecer. Normalmente não funciona muito bem marcar dia e hora para essa conversa. Tornar esse tipo de bate-papo uma solenidade só faz com que o jovem se coloque na defensiva e fale apenas o que gostaríamos de ouvir.

Pequenos momentos que surgem a partir de uma imagem, de um filme, novela e até mesmo de uma história familiar ajudam a entrar no assunto de maneira mais natural e produtiva. Conversas muito longas devem ser evitadas. É importante que a medida seja sempre o nível de interesse
ou curiosidade do adolescente. Ele ainda está fazendo perguntas e trocando ideias ou está com cara de paisagem? Esse tipo de pergunta você deve se fazer durante a conversa com seu filho.

As abordagens precisam ser adaptadas às faixas etárias, mesmo sabendo que hoje o acesso à informação é muito grande e desde muito cedo as crianças e os adolescentes ouvem falar sobre drogas.

Até os 10 anos, a criança se contenta com explicações mais superficiais. Pelo nível de concentração (ainda pequeno) e vivência (em geral, observam apenas familiares consumindo drogas legais) da criança, os papos devem ser curtos e voltados mais às bebidas alcoólicas e ao tabaco. Perguntas eventuais sobre outras drogas devem ser respondidas, mas sem grandes discursos. Depois disso, é importante ter condições de se aprofundar um pouco mais.

Acima dos 13 anos, possivelmente você estará conversando com quem já “visitou” a ideia da experimentação ou até já teve as primeiras experiências com drogas, principalmente álcool e tabaco.

A pesquisa Pense de 2012 do ibge mostra que metade dos jovens matriculados no 9º ano já havia experimentado algum tipo de bebida alcoólica, pouco menos que um quarto desse mesmo grupo já havia experimentado tabaco e 7% drogas ilegais, como maconha. Mas não entre em pânico. Evite falas alarmistas precedidas de algum caso “clássico” do jovem que experimentou uma vez e continuou usando até ficar largado na rua como um zumbi, preso ou internado em uma clínica de recuperação. O motivo é simples: elas não espelham a realidade geral e nem são tão eficientes para prevenir o uso como já se imaginou em décadas passadas. Além disso, é possível que entre os amigos de seu filho já existam usuários ocasionais. Quando ele confronta seu discurso “assustador” com evidências não tão pavorosas assim, a desconfiança se instala. É bom saber que experimentação não costuma significar caminho sem volta para a dependência de drogas. Apenas uma minoria vai enfrentar problemas sérios.

Atualmente, boas estratégias de prevenção questionam a visão superestimada de consumo que os jovens costumam ter. Não, não é verdade que “todo mundo bebe”. Os pais precisam saber que, sim, há uma quantidade significativa de jovens que usam drogas, mas na conversa com os filhos, o que se deve debater são os altos níveis de não consumo. Dessa forma, por exemplo, a grande maioria dos jovens não usa frequentemente (no caso do álcool) e relativamente poucos experimentaram (no caso da maconha). Essa maneira de enquadrar a questão vai ser útil para o jovem, que tem a tendência de achar que deve repetir as regras do grupo ao qual pertence ou quer pertencer. Há atualmente várias pesquisas brasileiras sobre a incidência de consumo entre os adolescentes, divulgadas amplamente (veja o Pense, os estudos do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas – Cebrid e o Lenad). No final do livro, você vai encontrar uma lista de sites e livros que podem ajudá-lo a se preparar para a conversa.

Por fim, um exemplo (o adolescente é muito sensível ao que vê nos pais, tanto em termos de comportamento, como no que se refere aos valores e princípios), o diálogo (é tão importante procurar nossos filhos para conversas eventuais como manter um canal sempre aberto para quando eles quiserem/precisarem se aproximar) e o carinho complementam uma boa estratégia para abordar com seu filho as consequências do uso e abuso de drogas.

Confira as perguntas respondidas no livro “Álcool e drogas na adolescência: um guia para pais e professores“:

 

Por que os adolescentes usam drogas?

Quem usa mais drogas: meninos ou meninas?

Gostaria de conversar com meu filho sobre o uso de drogas. Qual a melhor maneira de abordar o assunto?

Quais são os indícios de que um jovem está “paquerando” ou iniciando o uso de drogas?

Qual é a diferença entre uso e dependência de drogas?

Por que algumas pessoas desenvolvem dependência e outras não?

Qual melhor tratamento para dependência de drogas?

Não é proibida a venda de álcool para adolescentes? Como eles conseguem beber?

Consumo álcool socialmente e meu filho adolescente me pediu para usar eventualmente em casa. Como devo agir?

As propagandas de bebida alcoólica influenciam o consumo dos jovens?

Vou fazer uma festa de 15 anos para a minha filha. Devo servir bebida alcoólica para os jovens? Ela insiste que se isso não ocorrer, a festa “não bomba”

Sou fumante, mas não gostaria que meu filho fumasse. Como alertá-lo sobre as consequências do uso do cigarro sem parecer contraditório?

Meu filho comprou narguilé. Há problemas no seu consumo?

Todo adolescente é um tanto rebelde. Já que ele vai transgredir de qualquer maneira, o que é melhor: álcool, tabaco, maconha ou outra droga? Devo oferecer, para ele saber que pode contar comigo?

Se eu me declarar radicalmente contra qualquer uso de álcool e drogas, não posso estar dificultando um possível diálogo que meu filho queira ter comigo sobre o assunto?

Alguns adolescentes defendem a legalização da maconha. Como posso discutir isso com eles?

Meu filho usou maconha – ele é um dependente ou posso considerar o uso dessa droga inofensivo?

Descobri que um amigo do meu filho é usuário de drogas. Qual a melhor maneira de orientá-lo em relação a essa amizade?

Acho que meu filho está fazendo uso de álcool/drogas. Devo conversar com a escola? Como?

Como saber a política da escola para uso de álcool e drogas? Isso costuma ser explícito ou só aparece em caso de problemas?

Uma escola que é menos rígida em termos comportamentais (por exemplo, não exige uniforme), pode ser mais propensa a ter problemas com uso e abuso de álcool e drogas?

Qual o papel da escola na prevenção das drogas?

Quais os modelos de prevenção usados pelas escolas?

E qual desses é o melhor modelo a ser usado nas escolas?

Como a escola pode se preparar para desenvolver a prevenção às drogas?

Como a escola pode trabalhar a discussão sobre proibição/regulamentação das drogas?

O que a escola pode fazer para reduzir a influência das propagandas de bebida alcoólica?

Quais são e como agem as novas drogas – e as não tão novas?

 

1 thought on “Gostaria de conversar com meu filho sobre o uso de drogas. Qual a melhor maneira de abordar o assunto?

  1. Gostei da colocação de que o papo tem que ser informal, em um momento que a grande midia influencia em muito a cabeça das nossas crianças. sendo assim na ha necessidade de se fazer uma grande cerimonia para conversar com hora marcada boa a dica.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.