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Debate “O Contexto Jornalístico”

Os jornalistas Milton Leite, Pollyana FerrariMilton Jung protagonizaram na noite de ontem o debate “O Contexto Jornalístico”, abrindo a série de eventos comemorativos dos 25 anos da Editora Contexto. Com o auditório do Teatro Eva Herz da Livraria Cultura lotado, os jornalistas falaram sobre o passado e o futuro do jornalismo, destacando mudanças e expectativas em relação a essa área do conhecimento. Questões como “o jornal pode acabar?”; “como lidar com a overdose de informações que molda nosso cotidiano?”; e “qual o papel do futuro profissional do jornalismo?” permearam o debate.

Destacando as mudanças radicais que marcaram a imprensa nos últimos 25 anos, Milton Leite contou que em 1987, quando chegou para trabalhar no jornal O Estado de S. Paulo, tudo que havia eram máquinas de escrever. Mas as coisas se transformaram muito rapidamente. “Hoje um repórter entra ao vivo, apenas com um laptop, até do deserto”, disse para exemplificar o quanto houve de mudanças no dia a dia dos jornalistas. “E o jornalista de hoje se não tiver o Google na frente dele não sabe direito o que fazer”, disse.

Milton Jung complementou o raciocínio dizendo que “talvez o jornalismo tradicional seja cada vez menos essencial”, em um mundo marcado pelas novas mídias, que cada vez mais colocam em xeque a onipotência dos jornalistas em relação à disseminação das informações. Jung destacou a importância da participação, para o rádio hoje, dos ouvintes e do Twitter para se chegar às notícias antecipadamente. O âncora da CBN contou o caso de uma recente pane na linha 9 da CPTM, em que a redação foi avisada primeiramente pelos ouvintes, antes que as informações oficiais estivessem prontas para serem checadas e divulgadas. “A aldeia global idealizada pelo Marshall McLuhan agora está realmente acontecendo”, disse Pollyana Ferrari, professora da PUC-SP.

Outro tópico que gerou interesse do público foi o excesso de informações no mundo contemporâneo e a responsabilidade do jornalista, que acaba por diferenciá-lo de outros cidadãos que costumam, via novas mídias, divulgar fatos e novidades. “Quem consome notícia, quer ter a informação em primeira mão. Mas temos de tomar cuidado: a pessoa quer a notícia correta em primeira mão”, afirmou Jung. Nessa nova ordem comunicacional, “temos de aprender a selecionar as informações”, completou Leite.

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