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Covid-19: Pandemia, endemias e a história das epidemias

Covid-19: Pandemia, endemias e a história das epidemias

A covid-19 mostrou a emergência de um vírus mutante que, até onde sabemos, “saltou” de um animal silvestre para os seres humanos. Porém, isso não é novidade na história das epidemias.

Descoberta no final de 2019, a covid-19 atacou uma população que não conhecia seu vírus. O número de doentes e mortos cresceu rapidamente. Quem foi o culpado pela covid-19? Acusações não faltaram em meio ao pânico pelo seu avanço. E essa atitude não é inédita. No livro História das Epidemias, o infectologista Stefan Cunha Ujvari narra diversos episódios de perseguições a supostos culpados pelo início de diferentes epidemias, histórias de portadores de doenças que sofreram preconceito, além de casos de fake news e pânico, associados a enfermidades, que resultaram até em massacres.

Até o momento, a OMS identificou cinco variantes preocupantes do vírus. Além disso, existem duas variantes de interesse e sete cepas sob vigilância. Nas últimas semanas, países como Reino Unido, França, Espanha e Dinamarca decidiram que a covid-19 não será mais encarada como uma pandemia e começará a ser tratada como uma endemia em seus territórios. Mas você sabe as diferenças entre os termos: epidemia, pandemia e endemia?  

Epidemia
Ocorre quando o número de surtos cresce, abrangendo várias regiões de determinada cidade, por exemplo. Se isso acontecer, considera-se que há uma epidemia no município — mas um surto em escala estadual.

Se o caso se espalhar para outras cidades, por sua vez, considera-se que há uma epidemia em determinado estado —, mas um surto em escala regional, e assim por diante. Um exemplo é o ebola, que passou a ser considerado uma epidemia em 2014, após atingir diversos países na África.

Pandemia
É o pior dos cenários, quando o assunto são áreas infectadas: acontece quando uma epidemia alcança níveis mundiais, afetando várias regiões ao redor do globo terrestre. Para a OMS declarar a existência de uma pandemia, países de todos os continentes precisam ter casos confirmados da doença.

Antes da covid-19, a última vez que algo do tipo aconteceu foi em 2009, quando a gripe A (ou gripe suína) foi declarada uma pandemia.

Endemia
Não está relacionada à quantidade, mas à grande frequência de casos de uma doença em determinada região. Um exemplo disso é a febre amarela: o Norte do Brasil é considerado uma região endêmica da infecção.

O professor Expedito Luna, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da USP, em entrevista ao Jornada USP no Ar 1ª Edição, explicou que é considerada endemia uma doença que ocorre regularmente ao longo do tempo.

Já sobre a possível classificação da covid-19 como endêmica por alguns países, o professor Luna explica: “Não é necessariamente uma coisa boa, porque podemos ter uma doença endêmica num nível muito alto, por exemplo, os casos de Aids no Brasil, nós temos 40 mil casos novos todos os anos no Brasil; é endêmico, mas não é bom”.

Por isso, o alerta do infectologista Stefan Cunha ao final do livro História das Epidemias é mais do que necessário ainda hoje:

Covid-19: Pandemia, endemias e a história das epidemias

“Na pandemia de 2020, todos verbalizavam a grande frase de tranquiliza­ção: “VAI PASSAR”. Sim, a covid-19 passará, mas a história das epidemias, como vimos nas páginas anteriores, apresentam um início, porém não há um fim. É uma história contínua influenciada pelas nossas alterações políticas, econômi­cas e sociais. Resta aguardarmos as próximas epidemias ou pandemias. E isso dependerá novamente das mãos da humanidade.

A covid-19 mostrou como somos vulneráveis e impotentes. E, após acalmar a sua tormenta, talvez as nações se unam em acordos internacionais para mini­mizar o risco de futuras epidemias semelhantes. Talvez nasçam novas condutas rumo a objetivos de um desenvolvimento sustentável do planeta. Minimizar o contato com animais silvestres e um controle rigoroso de higiene e isolamento de criações de animais pode ser, quem sabe, um primeiro passo.”

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