Escrever um livro sobre análise sintática do período composto em pleno século XXI foi um desafio. Primeiro, porque há muitas gramáticas que abordam o tema da articulação de orações e muitos livros didáticos à disposição no mercado; segundo, porque há ainda muitos livros de diferentes perspectivas teóricas que fazem isso.
O livro Sintaxe do período composto: teoria e prática propõe uma releitura do período composto à luz da gramática tradicional por meio de teorias mais recentes de forma implícita, a fim de explicar/descrever os usos das orações nos períodos compostos, levando em consideração as intuições dos falantes/escreventes da língua portuguesa, o cotexto e o contexto em que as estruturas se inserem. Some-se a isso ainda o fato de o livro visar a um público específico, mas ao mesmo tempo abrangente.

O livro quer alcançar tanto o aluno que precisa aprender análise sintática, seja do ensino básico ou universitário, quanto o professor que, por algum motivo, não teve oportunidade de estudar esse conteúdo ao longo de sua formação acadêmica. Para tanto, a linguagem empregada é simples e objetiva, sem rebuscamentos. Ao longo dos capítulos, procura-se mostrar a análise sintática das orações em textos, uma das maiores dificuldades dos alunos. Além disso, destaca-se que, nas propostas de atividades que servem de possível guia principalmente para os professores, há ideias de como explorar o tema da articulação de orações em sala de aula, adequando-o a habilidades da BNCC, tais como EF08LI17, EF08LP11, EF09LP08, EF07LP11, EF09LP09.
Do ponto de vista pedagógico, adota-se o método dedutivo, já que se fazem generalizações a fim de se chegar às especificações. O período composto por subordinação, por exemplo, é apresentado como um conjunto de orações que envolve graus de subordinação diferentes, ou seja, há orações mais subordinadas que outras. Portanto, há uma gradação entre elas. No caso do período composto por coordenação, destaca-se a possibilidade de as orações envolverem subordinação semântica. Por fim, ressalta-se a premissa de que o conector sozinho, descontextualizado, não indica per se a relação semântica entre as orações. Assim, Sintaxe do período composto: teoria e prática pretende ser uma gramática aplicada ao português, refletindo sobre os usos linguísticos e não simplesmente propondo classificar as estruturas sem entender seu comportamento/funcionamento no co(n)texto.
Violeta Virginia Rodrigues é professora titular de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutorou-se em Letras Vernáculas e é diretora geral da Pós-graduação da Letras UFRJ. Seus interesses de pesquisas são funcionalismo, insubordinação de orações, Sintaxe, uso(s) de conector(es) e ensino de Sintaxe de língua portuguesa.

