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sintaxe do período composto

Sintaxe do período composto

A análise linguística, seja ela de qual nível for, adota unidades; com a Sintaxe do período composto, não é diferente. O objeto da Sintaxe é a oração, unidade linguística organizada em torno do verbo. No entanto, algumas vezes, essa unidade é confundida com a frase, unidade linguística de tamanho variável e que estabelece comunicação em uma determinada situação comunicativa, podendo ter verbo ou não. Veja um exemplo:

(1) Bom dia! Eu desejo [que o seu dia seja maravilhoso.] E muito
alegre. Feliz domingo!

Em (1), texto muito comum em postagens tanto do Facebook quanto do Instagram, há frases como Bom dia! e Feliz domingo! – que são usadas no cotidiano e em situações comunicativas específicas como forma de saudação e que não apresentam verbos –, como há também E muito alegre – que é frase no cotexto em que foi empregada, ou seja, no exemplo (1).

Entende-se por cotexto o entorno linguístico no qual a estrutura está inserida.
sintaxe do período composto

Já em Eu desejo que o seu dia seja maravilhoso, todo o período gráfico é uma frase, mas se as orações que o formam forem separadas, a análise fica um pouco diferente. O período graficamente começa em Eu e termina em maravilhoso, mas sintaticamente nota-se a presença de dois verbos – desejo e seja. Por isso, se trata de um período composto, aquele formado por duas ou mais orações, que são identificadas exatamente pela presença do verbo. A primeira oração é Eu desejo, e a segunda, que o seu dia seja maravilhoso. Sintaticamente são orações porque têm verbos, mas do ponto de vista comunicativo não estabelecem comunicação se isoladas no cotexto e contexto; portanto não são frases isoladamente.

Contexto refere-se à situação comunicativa em que se insere a estrutura em análise, ou seja, ao entorno extralinguístico.

Somente juntas essas orações, que formam esse período composto, estabelecem comunicação. Portanto o que caracteriza a frase como unidade linguística é o fato de ela estabelecer comunicação; quanto à oração, o que a caracteriza é a presença de verbo, independentemente do estabelecimento de comunicação ou não. Sendo assim, do ponto de vista analítico, a oração pode ser descrita isoladamente da situação comunicativa em que ocorre.

Voltando ao exemplo em (1), verifica-se que ele se constitui de quatro períodos gráficos, unidades linguísticas iniciadas por letras maiúsculas e finalizadas por algum sinal de pontuação terminativo como, por exemplo, ponto de exclamação (!), ponto de interrogação (?) e ponto final (.). Contudo, desses períodos gráficos, apenas um também é um período sintático porque apresenta verbo. Assim, ao longo de um texto, pode-se encontrar períodos gráficos que, do ponto de vista da análise sintática, não serão considerados porque não apresentam o constituinte caracterizador de uma oração ou seu núcleo – o verbo. Mas o que é analisar sintaticamente um período composto? É decompor, separar essa unidade linguística em suas unidades linguísticas menores, ou seja, em orações. O período simples é aquele formado por uma única oração, que é denominada de absoluta, exatamente porque é única nesse período, podendo se confundir com a noção de frase, caso estabeleça comunicação. É o que se pode ver em (2) a seguir.

leia um trecho livro sintaxe do período composto

(2) Eu gosto [de Sintaxe.]

O período ilustrado em (2), que graficamente começa em Eu e termina em Sintaxe, só tem um verbo (gosto), constituindo, por isso, um período simples, formado por uma única oração – a oração absoluta – e estabelece comunicação. Já o composto, como foi visto, tem duas ou mais orações e não necessariamente essas orações são frases. É o que se pode verificar em (3):

(3) Gosto [que os alunos tirem suas dúvidas.]

Em (3), há duas orações: a primeira é Gosto e a segunda é que os alunos tirem suas dúvidas. Neste período composto, as duas orações separadamente não são frases porque, isoladas, não estabelecem comunicação; só juntas é que fazem isso. Por isso é preciso enfatizar que a unidade linguística de análise da Sintaxe é a oração, e não a frase.

Além desta “Introdução”, este livro contém seis capítulos, conforme explicitado na “Apresentação”. No capítulo “Subordinação versus coordenação”, são abordados os processos sintáticos da subordinação e da coordenação de maneira geral, mostrando suas principais características. No capítulo “Período composto por subordinação”, são apresentados o período composto por subordinação e suas subdivisões, isto é, a subordinação substantiva, a subordinação adjetiva e a subordinação adverbial. No capítulo “Período composto por coordenação”, são discutidos o processo sintático da coordenação e sua subdivisão em coordenação sindética e assindética. Além disso, discute-se a noção de subordinação semântica ou psicológica.

O capítulo “Para além da subordinação e coordenação” menciona brevemente outras possibilidades de conexão de orações no âmbito do período composto, tais como a correlação, a hipotaxe e a justaposição. Os capítulos “Relações sintáticas no texto e seus efeitos de sentido (I)” e “Relações sintáticas no texto e seus efeitos de sentido (II)” são dedicados à aplicação das análises teóricas explicitadas ao longo do livro em consonância com as habilidades da BNCC no ensino de Sintaxe do período composto. Todos os capítulos contam também com uma síntese, com a recomendação de leituras para aprofundamento das discussões apresentadas e, ainda, com o anúncio do que virá em sequência a cada novo capítulo. O livro se encerra com as “Referências”.


Violeta Virginia Rodrigues é professora titular de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutorou-se em Letras Vernáculas e é diretora geral da Pós-graduação da Letras UFRJ. Seus interesses de pesquisas são funcionalismo, insubordinação de orações, Sintaxe, uso(s) de conector(es) e ensino de Sintaxe de língua portuguesa.

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