Fechar
2 de outubro (1941) | Batalha de Moscou

2 de outubro (1941) | Batalha de Moscou

Para Hitler, Moscou era o mais importante alvo militar e político. Ele previa que a rendição da cidade levaria ao imediato colapso da União Soviética.

22 de junho de 1941, a Alemanha e seus aliados do Eixo invadiram a União Soviética, num ataque surpresa, destruindo a maior parte da força aérea soviética no chão. Assim as forças alemãs puderam, em pouco tempo, avançar no território soviético, utilizando tácticas de Blitzkrieg. Unidades blindadas rapidamente cercaram e destruíram exércitos soviéticos inteiros. Enquanto o Grupo de Exércitos Norte alemão deslocava-se para Leningrado, o Grupo de Exércitos Sul movia-se para capturar a Ucrânia, e o Grupo de Exércitos Centro avançava em direção a Moscou.


Frente Oriental
A Frente Oriental à época da Batalha de Moscou: (amarelo) Avanço inicial da Wehrmacht — até 9 de julho de 1941 | (rosa) Avanços subsequentes — até 1º de setembro de 1941 | (roxo) Cerco e batalha de Kiev até 9 de setembro de 1941 | (verde) Avanço final da Wehrmacht — até 5 de dezembro de 1941

Enquanto se erguiam apressadamente barreiras antitanque nas estradas para a capital, e os ataques aéreos alemães obrigavam os moscovitas a correr em busca de proteção nas estações do metrô da cidade, até os pronunciamentos oficiais soviéticos – que sempre tentavam evitar as más notícias – soavam cada vez mais pessimistas. A mídia soviética não noticiou o discurso de Hitler no dia 2 de outubro anunciando que o avanço “final” sobre Moscou tinha começado, mas o vice-ministro de Relações Exteriores, Solomon Lozovsky, admitiu indiretamente que isso podia ser verdade quando disse aos jornalistas estrangeiros que a captura de qualquer cidade não iria alterar o resultado final da guerra. “Se os alemães desejam ver algumas centenas de milhares de seus homens mortos, vão ser bem-sucedidos – pelo menos nisso”, disse ele no dia 7 de outubro. Naquela mesma noite, um relatório sobre as notícias mencionava pela primeira vez “luta violenta na direção de Vyazma”.

No dia seguinte, o diário do exército Krasnaya Zvezda declarou que “a própria existência do estado soviético está em perigo”, e exigiu de todos os soldados que “aguentem firme e lutem até a última gota de sangue”. Era parte de um processo que Zhukov chamaria de explicação “da gravidade da situação, o caráter imediato da ameaça a Moscou, ao povo soviético”. Novas instruções convocavam todos os moscovitas a ajudar a construir uma linha de defesa fora da cidade, nos limites da cidade, e linhas de defesa ao longo dos bulevares internos e externos já dentro da cidade, preparando assim para a possível luta de rua. No dia 13 de outubro, o chefe do partido em Moscou, Aleksandr Shcherbakov, disse numa reunião de ativistas: “não podemos fechar os olhos. Moscou está em perigo”.

E ainda assim, os alemães continuavam a se aproximar. No dia 14 de outubro capturaram Rzhev. Apesar de ficar a 200 km a noroeste de Moscou, era o portão de entrada para as tropas alemãs que avançavam do norte, e sua queda significava que eles agora pareciam bem posicionados para tanto. Rzhev logo se tornaria a cena de uma matança em massa numa escala comparável à de Vyazma, outro caldeirão infernal que iria consumir um número enorme de soldados. Mas naquele momento, as derrotas gêmeas em Vyazma e Rzhev assinalavam que o fim do jogo por Moscou já tinha começado, e muitos moscovitas passavam a aceitar que ele não duraria muito nem terminaria bem.

Os cidadãos soviéticos comuns só tinham de ler ou ouvir os anúncios oficiais para chegar a essa conclusão. Já não tinham de ler nas entrelinhas, como faziam normalmente, para entender o que estava acontecendo. Um comunicado oficial na manhã do dia 16 declarou: “durante a noite de 14 para 15 de outubro, a posição na frente ocidental piorou. As tropas fascistas alemãs lançaram contra nossas tropas enormes quantidades de tanques e infantaria motorizada e romperam as nossas defesas em um setor”.

Os alemães fechavam o cerco, as pinças estendidas e, como admitia o próprio governo soviético, estavam rompendo as defesas. A organização do Partido Comunista de Moscou pedia “uma disciplina de ferro, uma luta sem piedade contra até as menores manifestações de pânico, contra os covardes, desertores e disseminadores de boatos”. Mas isso não impediu que se espalhassem boatos de que as tropas alemãs já estavam nos arredores da capital, ou se deixasse vazar que o governo e as embaixadas estrangeiras já evacuavam o principal quadro de pessoal. No dia 13 de outubro, Stalin publicou ordens de evacuação dos mais importantes funcionários do partido, governo e militares para Kuibyshev, a cidade no rio Volga que havia sido escolhida para servir como a capital temporária se Moscou caísse.

Não impediu também o sentimento crescente de alarme entre os moscovitas comuns, que contemplavam nervosos a possibilidade de serem abandonados para enfrentar sozinhos os conquistadores e os invasores alemães. De repente, muitos deles agarraram seus pertences e também decidiram fugir, mas tinham de descobrir por si mesmos a saída da cidade em perigo.

Moscou estava à beira do pânico – não num sentido metafórico, mas no sentido literal da expressão.

No início da Operação Tufão, os governantes soviéticos não perceberam que as forças alemãs se moviam com rapidez para cercar e prender um contingente tão grande quanto possível do Exército Vermelho perto de Vyazma, transformando o lugar no próximo “caldeirão”, um inferno de morte e destruição. A missão alemã era simples: cercar e destruir as tropas soviéticas, bloqueando todos os meios de fuga. Quando o comando soviético percebeu o que estava acontecendo ordenou aos seus homens escapar por todos os meios possíveis – e dessa vez Stalin não fez objeção. Mas então já era tarde demais para quase todos. Apenas um número mínimo se salvou.

Fontes: Wikipedia | NAGORSKI, Andrew. “Moscou está em perigo”. In: NAGORSKI, Andrew. A Batalha de Moscou: a luta sangrenta que definiu os rumos da Segunda Guerra MundialEditora Contexto.

Imagem de capa: retirada do documentário “Redescobrindo a 2ª Guerra Mundial”.


A batalha de MoscouQuem saber mais sobre a luta que definiu os rumos da Segunda Guerra Mundial? Conheça o livro “A Batalha de Moscou” > http://bit.ly/BatMoscou 

Autor: Andrew Nagorski
ISBN: 978-85-7244-792-8
Formato: 16 x 23 cm
Acabamento: Brochura
Páginas: 352