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Sejamos coerentes | Rubens Marchioni
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Sejamos coerentes | Rubens Marchioni

O comportamento coerente evita situações constrangedoras, como aquelas verificadas quando a prática não confirma o discurso. Assim, aprender desde cedo a agir segundo esse critério é um ótimo caminho para que essa filosofia de vida crie raízes mais fortes e robustas. Detalhe: a cultura da coerência pode e deve ser aprendida. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de algo que vem do útero. É conteúdo que se forma a partir da família, passando pela escola, igreja, trabalho, relacionamentos, poder e vai por aí afora. Lembrando também que o desenvolvimento pessoal leva à formação de um caráter mais forte, quando se vive segundo essa regra fundamental.

Junto de espaços como a família, a educação e a cultura, manter a coerência interna na relação com o sagrado faz com que a espiritualidade adotada tenha um sentido de unidade – a vida exige isso, ou seremos um conjunto disforme de partes que não se conectam. A coerência representa, portanto, a esperança de uma vida íntegra e com significado, respeitando compromissos básicos de convivência consigo mesmo e com o outro.

Também nesse sentido, uma vida coerente prioriza os padrões morais da sociedade. A harmonia na prática dos valores, sobretudo da ética, garante uma vida saudável. Ao mesmo tempo, ela é a certeza de tranquilidade nas relações entre as pessoas, grupos e nações. Afinal, a coerência entre discurso e prática se revela numa existência feita de justiça para todos.           

Por isso, convém lembrar que é incoerente manter um discurso favorável à prática dos direitos humanos e da justiça e, ao mesmo tempo, adotar atitudes preconceituosas. A rotina com que isso se verifica exigiu a inclusão desse parágrafo exclusivo.

Indo para o âmbito pessoal e particular, um relacionamento equilibrado se constrói com coerência entre as palavras e os gestos. A prática do machismo, por exemplo, é incoerente com um relacionamento de qualidade, onde o respeito deve ser a peça fundamental. Quando construído sobre o medo provocado por certo tipo de homem, ele não se revela compatível com uma vida feita de liberdade, porque desrespeita o direito de receber um tratamento coerente com a nossa natureza humana.           

E no terreno profissional? O que se espera é que o funcionário entregue exatamente o que prometeu durante o processo seletivo. Quanto à empresa, recomenda-se abandonar o hábito funesto de identificar os empregados pelo nome pomposo de “colaboradores” e tratá-los como peças descartáveis.

Por outro lado, usando de recursos humanos, a atividade empresarial produz uma riqueza que deve ser distribuída com justiça para ser coerente com os valores humanos e tornar a economia uma prática mais igualitária. Entretanto, do ponto de vista do marketing praticado por ela, a fim de garantir a justa obtenção de lucro, é incoerente pretender conquistar o cliente com um barril de vinagre, quando basta uma gota de mel, administrada na hora certa e com inteligência. Ainda na área da mercadologia, a obtenção de resultados deve guardar coerência com a qualidade da comunicação com o público-alvo da mensagem, anunciando produtos e serviços compatíveis às suas necessidades, desejos e valores, sempre respeitando princípios éticos de comercialização.

Ampliando o leque, no campo do poder, lamentavelmente existe uma incoerência crônica entre o discurso adotado por ele, na pessoa da maioria dos políticos de plantão, e a respectiva prática. E isso, naturalmente, compromete a qualidade de vida de todas as pessoas. O cenário não é facilmente percebido pelo senso comum, que demora bem mais para detectar essas falhas, se comparado ao senso crítico, mais perspicaz e aguçado.              

Como resolver todas essas questões? Decididamente, lembrando que a coerência, adotada como filosofia de vida, é o melhor caminho para que a sua existência seja garantida como prática habitual, e nunca como algo apenas eventual. O que virá depois será uma consequência natural dessa atitude.

De tudo isso se conclui que, rigorosamente falando, uma vida vivida fora desses padrões não tem muito sentido. Quando chega ao fim, há pouco a celebrar, porque quase nada foi construído e deixado para as próximas gerações.    


CONEXÃO ■ SE VOCÊ QUER fidelizar clientes, avalie a intensidade do seu desejo de influenciar pessoas, sem discriminação, a fim de exercer nelas o fascínio pelos produtos ou serviços que você oferece.


RUBENS MARCHIONI é palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Eleito Professor do Ano no curso de pós-graduação em Propaganda da Faap. Autor de Criatividade e redação, A conquista Escrita criativa. Da ideia ao texto[email protected] — https://rumarchioni.wixsite.com/segundaopcao