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Quais foram os resultados de outras ondas de protestos raciais nos EUA

Quais foram os resultados de outras ondas de protestos raciais nos EUA

Nos anos 1960 e 1990, o país passou por movimentos que resultaram em reformas institucionais – e bagunçaram com a opinião política nacional.

Quais foram os resultados de outras ondas de protestos raciais nos EUA
 NurPhoto/Getty Images

Os Estados Unidos vive, uma onda de protestos em dezenas de cidades pelo país. O motivo você já deve saber: a morte do segurança George Floyd, um homem negro de 46 anos, asfixiado durante uma abordagem policial em Minneapolis, no estado de Minnesota. O episódio iniciou uma série de revoltas contra a brutalidade policial e o racismo institucional não só no país como também no mundo – Alemanha, Canadá, França, Austrália e Brasil são alguns locais que registraram protestos parecidos nos últimos dias. 

Mas as manifestações atuais, apesar de já serem um marco na história recente americana, estão longe de serem as únicas. Pelo menos duas outras grandes ondas de protestos com cunho racial varreram o país nos anos 1960 e 1990. E foram graças a eles que mudanças concretas em legislações e instituições aconteceram – o que não exclui o fato de o racismo institucional existir no país até hoje, é claro.

Os anos 1960 nos Estados Unidos foram marcados pelo movimento de direitos civis dos negros americanos. Na época, diversos estados ainda mantinham leis de segregação racial – como as que determinavam separação de negros e brancos em escolas, transporte públicos e outros espaços. Além disso, o movimento supremacista branco era muito forte, especialmente em estados do sul do país.

Por anos a população negra protestou pacificamente e se organizou politicamente contra o racismo, mas foi em 1968 que a onda mais intensa de protestos violentos começou. O que acendeu o pavio foi o assassinato de Martin Luther King Jr., um dos maiores líderes do movimento negro no país. Em questão de horas, diversas cidades começaram a registrar protestos – desta vez mais violentos e intensos.

Deu-se assim o início da maior onda de revolta racial americana, pelo menos até agora – alguns acreditam que o movimento de 2020 possa ocupar este posto. Os protestos duraram por mais de um mês e foram registrados em mais de 100 cidades, e, em geral, não foram pacíficos. A polícia e as forças estatais reagiram com força desproporcional e pelo menos 40 pessoas acabaram mortas, mais de 2.500 foram feridas e cerca de 15 mil manifestantes foram presos.

Apesar da morte de Martin Luther King ter sido o estopim, os protestos logo começaram a abarcar uma ampla variedade de pautas relacionadas ao racismo, incluindo a desigualdade social e a violência policial contra comunidades negras comum em várias regiões do país.

Fonte: Matéria publicada na SuperInteressante