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O que aprender com a experiência de sentir medo? | Rubens Marchioni
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O que aprender com a experiência de sentir medo? | Rubens Marchioni

ELE ME ENSINA a respeitar algumas regras básicas de segurança, como forma de não me tornar vítima de riscos evitáveis. Graças ao medo, nunca me aventurei a pular do décimo andar do meu prédio, na certeza de que sairia voando feito uma águia. Deus me livre de um dia ser acometido por tamanho excesso de coragem. Isso seria fatal. Seres humanos não voam.

Com os pés no chão, ouço o que pessoas falam sobre o medo. Em geral, suas narrativas dão conta da força que ele tem de atingir o outro extremo, isto é, paralisar. Raramente fazem referência à vitória na luta contra o seu uso excessivo. Nesse jogo de forças, a submissão tem sido a vencedora, porque, além de tudo, segundo um provérbio sueco, ‘O medo atribui a pequenas coisas, grandes sombras.’ Compreende-se: as pessoas têm medo, mas não têm medo do abuso em relação a essa prática. Talvez falte entender que o outro lado do medo é a liberdade necessária para ensaiar passos mais largos e ousados.

No entanto, lutar contra o medo excessivo exige certas habilidades. Uma delas, talvez duas, as irmãs gêmeas autoconhecimento e autocontrole. Em outras palavras, capacidade de manter o domínio da situação. Nesse caso, pessoas movidas pela fé manejam esses instrumentos com mais facilidade. Elas se acreditam blindadas por uma força superior. Queiramos ou não, isso faz muita diferença. Não sabendo que é impossível, fazem mais do que a média e alcançam resultados mais brilhantes.

Mas habilidade exige treino. E ninguém faz isso trancado numa redoma de vidro, criada por si mesmo ou por uma pessoa superprotetora. Fora do campo não se aprende a jogar. ‘Não ter medo é como fazer musculação’, lembra Arianna Huffington, criadora do jornal online Huffington Post, que conclui: ‘Quanto mais eu me exercito, menor a chance de meus temores me dominarem’. Ou seja, fora do campo não se desenvolve a habilidade para dialogar com o medo de maneira equilibrada. E sem diálogo não há acordo possível.

Concluindo, é preciso ter atitude. Criar coragem, o grande antídoto contra a toxicidade paralisante do medo, esse Dragão de Komodo que ronda e coloca em risco a nossa segurança.

Ora, isso nada tem a ver com a aventura de pular do décimo andar. Trata-se de algo mais inteligente e sensato, a alegria surpreendente de vencer obstáculos dando saltos ornamentais com segurança e firmeza para chegar mais longe, encontrar respostas e impactar positivamente a vida das pessoas. Aprendeu?


RUBENS MARCHIONI é palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Autor de Criatividade e redação, A conquista Escrita criativa. Da ideia ao texto[email protected] — http://rubensmarchioni.wordpress.com