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6 de junho (1944) | Dia D – Desembarques da Normandia
1944 FRANCE. Normandy. W.W.II. Operation Overlord.ICP 585Omaha Beach. June 6th, 1944. The first wave of American troops lands at dawn.Image licenced to Kathy Nakamura Encyclopaedia Britannica, Inc. by Kathy NakamuraUsage : – 4600 X 4600 pixels (A3)© Cornell Capa Photos by Robert Capa © 2001 / Magnum Photos

6 de junho (1944) | Dia D – Desembarques da Normandia

Confira os detalhes da Batalha da Normandia, a invasão das forças dos Estados Unidos, Reino Unido, França Livre e aliados na França ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial em 1944. 

normandia

por Philippe Masson em Segunda Guerra Mundial: história e estratégias, publicado pela Editora Contexto

O desembarque tão esperado acontece ao alvorecer de 6 de junho de 1944 no litoral normando, com a surpresa tática mais perfeita. Na noite de 5 a 6 de junho, 6,5 mil embarcações de todos os tipos, formando 75 comboios, atravessam a Mancha enquanto a aviação aliada despista os sistemas de alerta, destrói os postos de comando ou efetua ataques de despistamento. Aviação e artilharia de marinha cobrem o desembarque da 3ª divisão britânica, da 3ª divisão canadense, da 51ª britânica e das 1ª e 4ª divisões americanas nas praias Sword, Juno, Gold, Omaha e Utah. Na noite anterior, três divisões aerotransportadas, a 6ª britânica e as 82ª e 101ª americanas, foram largadas a leste de Sword e a oeste de Utah.

A reação alemã é confusa. Somente a 21ª divisão blindada esboça um contra-ataque em direção ao setor britânico. Entretanto, a superioridade aliada faz com que a tentativa fracasse. Ao cair da noite, os Aliados têm em seu poder 4 cabeças de ponte. A situação só é preocupante no setor de Omaha, onde os americanos se depararam com uma forte resistência.

Durante os dois dias seguintes, a confusão alemã permite que os americanos estabeleçam a ligação entre Utah e as divisões aerotransportadas e liberem Omaha. Os britânicos unem suas cabeças de ponte e fazem sua junção com os americanos. Na noite de 8 de junho, a cabeça de ponte está sólida e ocupa uma larga faixa lito-rânea de 56 km, por 8 a 16 de largura. Entretanto, o atraso é sensível em relação ao que tinha sido planejado.

Enquanto isso, são amplamente dispostas caixas Mulberries, para constituir dois portos artificiais, um no setor britânico, em Arromanches, outro no setor americano, em Saint-Laurent. Uma tempestade destruirá o porto americano em 19 de junho; somente o porto britânico continuará em serviço, permitindo o trânsito de 11 mil toneladas de mercadorias por dia.

A Batalha da Normandia


Primeira fase e tomada de Cherburgo: 7-27 de junho de 1944

Hitler, convencido de que a operação na Normandia é apenas uma preliminar ao desembarque principal esperado no Pas-de-Calais, mantém o 15º Exército ao norte do Sena e hesita em colocar as reservas blindadas à disposição do 7º Exército colocado na primeira linha. Além disso, Rundstedt e Rommel se desentendem quanto à estratégia a adotar: defesa em profundidade ou defesa junto à costa. Dessas divergências resulta uma flutuação CAPA SEGUNDA GUERRA_WEBno comando. Os reforços chegam de maneira fragmentada, e uma parte das forças blindadas alemãs é desperdiçada em contra-ataques desordenados.

O avanço dos Aliados, entretanto, marca passo nos bosques normandos cuja compartimentação favorece a defensiva e anula a superioridade material. Mais além, a resistência alemã se revela mais sólida do que o previsto nas duas alas em torno de Carentan e de Caen.

A progressão britânica em direção a Caen, objetivo do Dia D, é alcançada pelas divisões Panzers recém-chegadas à frente de batalha. Montgomery se esforça em vão para contornar as posições alemãs por Villiers-Bocage (10-12 de junho). No Cotentin, os americanos livram-se com dificuldade da cabeça de ponte e conseguem cortar a península em duas apenas em 17 de junho, ao alcançar Barneville. As forças alemãs, encurraladas no “beco” de Cherburgo, rendem-se em 27 de junho após uma resistência desesperada, tendo procedido à destruição das instalações portuárias.

 

Segunda fase. O afundamento: 27 de junho-24 julho de 1944

Mais de um milhão de homens e 150 mil veículos amontoam-se na cabeça de ponte incapaz de se expandir. A progressão nos bosques normandos é desesperada-mente lenta e custosa. A frente se estabiliza numa linha que vai de La Haye-du-Puits ao norte de Caen, passando por Carentan, pelo norte de Saint-Lô e de Caumont.

Montgomery tenta uma segunda vez apoderar-se de Caen pelo oeste (operação Epson, 24 de junho-1º de julho), mas a maioria das Panzers concentrada na planície de Caen impede o sucesso da tentativa. Esse fracasso não modifica o esquema geral da manobra aliada, “manter-se à esquerda (Caen), progredir à direita”. Uma terceira tentativa britânica, de tomar Caen através de um potente ataque blindado incidindo a leste da cidade (operação Goodwood), de 18 a 20 de julho, é igualmente contida. Entretanto, Goodwood tem, pelo menos, a vantagem de atrair e fixar as forças blindadas alemãs na extremidade leste da zona conquistada pelos Aliados, dando oportunidade aos americanos de obter a ruptura, preparada por Bradley ao abrir caminho em Saint-Lô (18 de julho). Até então, os Aliados perderam 122 mil homens e os alemães 114 mil, dos quais 41 mil prisioneiros.


Terceira fase: A penetração de Avranches: 25-31 de julho de 1944

Na Normandia, o desfecho acontece com o sucesso da operação Cobra. A operação começa, no entanto, sob maus auspícios. O bombardeio em formação de tapete, com 4 mil toneladas de bombas atiradas por 3 mil aparelhos sobre 15 km, atinge as primeiras linhas americanas, desorganizando as forças no ataque; mais de 500 soldados são mortos ou feridos. O 1º Exército americano, entretanto, rompe as linhas alemãs a oeste de Saint-Lô.

Num primeiro tempo, a progressão americana atrasada pela resistência da Panzer Lehr acelera-se sob o impulso de Patton. Coutances é alcançada em 28 de julho, e os blindados de Collins apoderam-se de Granville e de Avranches em 31 de julho, enquanto o 19º CA US detém um contra-ataque alemão a leste de Saint-Lô (27-30 de julho). Uma vez efetuada a ruptura, resta passar à exploração.


O contra-ataque alemão de Mortain: 6-10 de agosto de 1944

CAPA PATTON_WEBEm 1º de agosto, o comando aliado é reorganizado. O 3º Exército us colocado sob as ordens do general Patton torna-se operacional, e Bradley assume o comando do 12º ga depois de ter deixado o do 1º Exército para o general Courtney Hodges. Patton lança de imediato o 8º CA em direção aos portos bretões e esforça-se para alargar o gargalo de Avranches. A vulnerabilidade americana não escapa a Hitler, que ordena um contra-ataque a partir da região de Mortain na direção de Avran -ches, destinado a cortar o gargalo para isolar as forças americanas engajadas fora do Cotentin. A manobra alemã é decifrada pelos serviços de informação Ultra e bloqueada pela intervenção maciça da aviação tática americana. A audácia da tentativa alemã retorna contra seus autores. Independentemente de seu fracasso, tem por consequência engajar ao máximo as Panzers no dispositivo dos Aliados e facilitar sua manobra de cerco pelo norte e pelo sul.

Os exércitos anglo-canadenses progridem em direção a Falaise, e o 15º CA US, após libertar Le Mans, toma a direção norte. Essa manobra termina por criar o bolsão de Falaise. A obstinação de Hitler em permanecer no local sem recuar impediu uma retirada para o Sena como pretendia von Kluge.


Fim da campanha da Normandia: 13-30 de agosto de 1944

O 15º CA US alcança Argentan. Americanos e canadenses encontram-se afasta -dos em apenas 25 km. A 2ª Db polonesa, vanguarda do 2º CA canadense, tenta obs -tinadamente fechar a saída do bolsão de Falaise. Uma série de erros cometidos pelo comando aliado permite a von Kluge manter a brecha aberta e acelerar a evacuação do fundo do bolsão. A maioria das Panzers restantes conseguem a retirada, apesar da tomada de Falaise (18 de agosto). O bolsão é definitivamente fechado aos 21 de agos -to. Cerca de 50 mil alemães são feitos prisioneiros, e 10 mil outros foram mortos.

Durante a Batalha de Falaise, o 3º Exército americano continua sua exploração em direção ao Loire e ao Sena, alcançado em Mantes e Troyes.

As forças alemãs que escaparam do bolsão de Falaise conseguem atravessar o Sena em balsas ou em pontes flutuantes, apesar da destruição de todas as pontes acima de Paris por ataques aéreos efetuados na última semana de agosto. Von Kluge, comprometido no complô de 20 de julho, é destituído por Hitler e substituído pelo marechal Model. A derrota de Falaise marca o fim da Batalha da França, e então pode-se esperar uma derrota decisiva a oeste antes do inverno.


Esse é um trecho de um capítulo do livro Segunda Guerra Mundial: história e estratégias, publicado pela Editora Contexto