Fechar
Meu romance com o mundo da palavra | Rubens Marchioni

Meu romance com o mundo da palavra | Rubens Marchioni

Faz algum tempo, publiquei um artigo narrando meu romance com o mundo da palavra. Ele dizia assim:

Bem cedo você me tomou por inteiro. Transformou o meu mundo numa crônica cheia de aventuras especiais. Aos 11 anos, num flerte ainda juvenil, escrevi meu primeiro poema, bem avaliado por um professor. Aos 14, estudante no então curso ginasial, você me pegou pela mão e, com maestria, me transportou para dentro de uma experiência fascinante. Inflou minha imaginação para que ela embarcasse nas asas de um concurso. Confiante no seu poder, voei alto no desafio proposto para Dia da Ave. E embarquei nas asas de um diploma, conquistado com toda alegria honrosa que um adolescente do interior pode ter. Assim, atingi uma nuvem e mirei a Terra da altura do meu grande sonho. O que presenciei produziu vertigem e encantamento. Claro, vitórias sempre encantam. Arrastam. E então me deixei levar pela sua dança.

Não foi preciso muito tempo para que a cena se repetisse, num outro cenário. Um ano depois, eu publicava meu primeiro artigo em um jornal, e de novo a matéria-prima era você. Minha segunda experiência, estampada na primeira página. Comigo estavam alguns intelectuais que eu admirava e queria seguir. Foi quando, também, na escola onde estudava, me tornei editor e redator do jornal publicado pelo Grêmio Estudantil. Eu aprendia sempre mais sobre você. Nossa intimidade crescia – difícil saber quem era quem, tamanha a cumplicidade que se desenhava.

Em São Paulo, um novo passo: criar e editar um jornal paroquial numa igreja comandada por padres irlandeses. Uma experiência sagrada no meu trajeto com você. Apaixonado, nunca me soltarei dos seus braços, asas poderosas que me conduzem para o alto. É lá que desejo construir a minha casa.

Então você me levou mais longe. Primeiro, abriu espaço para eu criar textos publicitários e jornalísticos. Além de ensinar, na universidade, os caminhos que vão ao encontro de uma ideia até a produção de um texto adequado. Novamente, as suas mãos abriram outra porta, agora para o primeiro livro, Criatividade e redação: o que é, como se faz. Não fosse você, ele seria apenas um amontoado de papel sem qualquer sentido ou missão.

A generosidade do seu amor outra vez me fez voar. Não mais nas asas de um diploma, como nos tempos de ginásio. Agora, meu veículo era o jornal de maior prestígio do país, o Estadão, e, por fim, a revista Mercado Global, entre outras, onde publiquei artigos.

Caminhando na pulsação que você me emprestava, também criei outros textos para o mesmo jornal, fazendo um misto de jornalismo e propaganda – você me ensinou essa alquimia. Mais ainda, me capacitou para escrever um romance sobre um assunto extremamente técnico e delicado, Câncer de mama: vitória de mãos e mentes, produzido sob encomenda para um médico oncologista.

Em outra viagem instigante, você me levou para um novo momento feliz. Foi quando me tornei autor de outro livro, A conquista: um desafio para você treinar a criatividade enquanto amplia os conhecimentos.

O encantamento se mantém constante. Junto dele, a fidelidade prometida com alegria, há mais de 50 anos, e cumprida com enorme prazer e dedicação, até sempre. Minha recente conquista, o livro Escrita criativa: da ideia ao texto, é uma das experiências mais deliciosas que você, Amor-Palavra, me faz viver. Essa caminhada, como disse, não termina aqui. Afinal, você é essencial à minha vida. E isso não é de hoje. Desde os 11 anos eu vivo as delícias intermináveis do mundo escrito.

PrimeiЯa versão
■ Quantas coisas fazemos questão de guardar, muitas vezes sem necessidade? Já foram usadas, não servem mais. Passou. Se não fosse o apego, a insegurança, a gente bem que poderia se desfazer delas. Mas aí entra um receio – na vida, somos levados por uma série de receios, de medos. Por exemplo, temos medo de encarar que existe o outro, e que ele faz parte da nossa vida. Temos medo de que aquilo que era nosso passe a ser de alguém, alguém desconhecido, que vai usar melhor do que nós. Então mantemos o acúmulo pelo acúmulo, apenas para evitar a sensação de perda. Perda? Que perda?


Rubens Marchioni é palestrante, produtor de conteúdo, blogueiro e escritor. Eleito Professor do Ano no curso de pós-graduação em Propaganda da Faap. Pela Contexto é autor de Escrita criativa: da ideia ao texto.  https://rumarchioni.wixsite.com/segundaopcao / e-mail: [email protected]