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Diretas já
Brasil, Brasília, DF, 23/04/1984. Manifestação pedindo eleições diretas (Diretas Já) em Brasília (DF). Foto: Arquivo/AE Contato: 08.184.01 – Negativo: 840784/S.3(17)

Diretas já

Em 2 de março de 1983, o deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentou ao Congresso Nacional proposta de emenda à Constituição prevendo o restabelecimento de eleições diretas para a Presidência da República em dezembro do ano seguinte. Em abril, o PMDB lançou oficialmente a campanha nacional de apoio à emenda, com o slogan que ganharia as ruas: “Diretas já”.

Nos meses seguintes, a campanha começou a ganhar fôlego nas ruas. Em 27 de novembro de 1983, ocorreu a primeira manifestação pública expressiva a favor das Diretas. Foi uma festa-comício organizada no estádio do Pacaembu, em São Paulo, pelos partidos de oposição. O momento mais emocionante foi o anúncio da morte do senador Teotônio Vilela, um dos principais promotores da campanha pelo voto direto.

Os quatro meses que antecederam a votação da emenda Dante de Oliveira foram dedicados à organização de comícios, que se realizaram por todo o país. O primeiro ocorreu em Curitiba, no Paraná, em 12 de janeiro de 1984, e reuniu cerca de 50 mil pessoas. Nos dias seguintes, novas manifestações aconteceram em Salvador (BA), com 15 mil pessoas, Vitória (ES), com 10 mil, e Campinas (SP), com 12 mil.

O primeiro grande comício das Diretas, foi realizado na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 25 de janeiro. Os organizadores haviam marcado o evento para o dia 25 de janeiro justamente para facilitar a participação popular. No Rio de Janeiro, uma das primeiras manifestações pelas Diretas foi a passeata na Avenida Rio Branco, no centro da cidade, em 16 de fevereiro. Em Minas Gerais, a principal manifestação ocorreu no dia 24 de fevereiro.

Em abril, a campanha empolgou definitivamente o país. No dia 10, cerca de um milhão de pessoas se reuniram na Candelária, no Rio de Janeiro. Novos comícios a favor das eleições diretas realizaram-se em Goiânia, em 12 de abril, e em Porto Alegre, no dia seguinte.

O último grande comício antes da votação da emenda Dante de Oliveira se realizou no dia 16 de abril, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Reuniu quase um milhão e meio de pessoas. 

Dois dias depois, em 18 de abril, o presidente João Figueiredo decretou a adoção, pelo prazo de 60 dias, de medidas de emergência no Distrito Federal e em dez municípios de Goiás. As medidas tinham como executor o general Newton Cruz e incluíam a possibilidade de detenção de cidadãos em edifícios comuns, suspensão da liberdade de reunião e associação, além de intervenção em sindicatos e outras entidades de classe. Foi determinada a censura prévia às emissoras de rádio e de televisão, sendo proibida a transmissão ao vivo de qualquer informação sobre a votação da emenda à Constituição.

O dia anterior ao da votação da emenda Dante de Oliveira foi muito tenso em Brasília. Houve manifestações em favor das Diretas na Esplanada dos Ministérios, e Newton Cruz pôs as tropas na rua para reprimi-las.

A votação no Congresso Nacional terminou sem que a emenda das Diretas conseguisse a maioria de dois terços exigida para ser aprovada. Perdeu por apenas 22 votos.

Fonte: Memória Globo