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Cidadania. Direitos e deveres? | Rubens Marchioni
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Cidadania. Direitos e deveres? | Rubens Marchioni

Leio diferentes definições de cidadania. Elas me lembram sua origem, a versão latina civitas, cujo significado é “conjunto de direitos atribuídos ao “cidadão” ou “cidade”.

Trata-se do mesmo espaço e organização social que os gregos antigos identificavam por pólis. Em princípio, o termo cidadania foi utilizado na Roma Antiga para designar a situação política de uma pessoa e os direitos que possuía ou que podia exercer. A partir dessa raiz etimológica surgiram várias outras palavras comuns na língua portuguesa contemporânea, tais como: civil, civilização, civismo etc. O termo latino civitas, por sua vez, teria evoluído a partir da palavra civis, nome dado a todos os homens que moravam nas cidades.

Vale destacar que o conceito de cidadania praticada na Roma Antiga era bastante diferente da definição atual desse termo. Segundo Dalmo Dalari, a palavra “(…) expressa um conjunto de direitos que dá a pessoa uma possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo”.

E eis que alguma coisa me incomoda: as definições se ocupam, o tempo todo, em destacar o fato de que os cidadãos desfrutavam de direitos na cidade, sem qualquer referência aos seus deveres para que a pólis funcionasse adequadamente.

Seguindo um caminho diferente, quando penso em cidadania, me lembro de que se estou no quintal da minha casa, lá onde só eu sei e vejo o que faço, porque o espaço é privado, tenho à minha frente o convite para a prática da cidadania, e ela inclui o indispensável comportamento ético.

Igualmente, se estou na rua, aquela rua escondida do meu bairro, sem câmeras que olham meus passos e todo gesto que o corpo fizer, o que se espera de mim é uma atitude cidadã.

No estádio de futebol abarrotado, no silêncio do deserto, na solidão do topo de uma montanha, vigiado apenas por Deus, que faz a minha segurança, também ali o que se espera é que eu seja cidadão. 

Cidadão do quintal. Cidadão da rua. Cidadão do planeta, desejoso de que a vida fique mais próxima da plenitude possível. E isso, naturalmente, implica ter princípios éticos. Ora, esse padrão de comportamento me levaria a agir a sós da mesma forma como atuaria diante de uma multidão atenta ao gesto mais insignificante. Isso não requer nenhum método, nem diploma. Só o que conta é o prazer de ser e fazer diferença, para que a minha cidade-mundo seja mais bonita, guarde um sorriso permanente no rosto.


RUBENS MARCHIONI é palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Eleito Professor do Ano no curso de pós-graduação em Propaganda da Faap. Autor de Criatividade e redação, A conquista Escrita criativa. Da ideia ao texto[email protected]  — https://rumarchioni.wixsite.com/segundaopcao