Nosso livro situa-se entre Filosofia e Semiótica, seguindo uma abordagem teórica e prática. À esteira da tradição de Ferdinand de Saussure em suas aplicações francesas, Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault e Jacques Lacan foram pioneiros na leitura estrutural semiológica, que foi realizada em distintos campos de saber, mas sempre tendo a Filosofia como interesse comum. O enfoque estruturalista rende ferramentas teórico-metodológicas para comparar sistemas de signos, reduzindo-os a categorias mínimas novas. Este livro apresenta as principais ideias e metodologias desses intelectuais franceses, incentivando o cultivo delas e o desenvolvimento de estudos daí deriváveis.

A estrutura do livro, como indicada no Sumário, organiza-se em capítulos dedicados a tais três expoentes da Filosofia: Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault e Jacques Lacan, nesta ordem. Os capítulos obedecem a uma disposição que apresenta aspectos dignos de nota da vida e obra dos autores, organizados da seguinte maneira:
- Biografia: Fornece um panorama da vida do autor, destacando os momentos e influências que o formaram.
- Bibliografia: Aqui não se trata de uma bibliografia anotada, mas de uma seleção de textos. Tais textos não pretendem refletir toda a recepção crítica e acadêmica de cada autor, no Brasil e no mundo. Optamos por ressaltar facetas de Lévi-Strauss, Foucault e Lacan mais relevantes aos Estudos dos Signos em interface com a Filosofia.
- Conceitos-chave: Aqui são desenvolvidas ideias selecionadas em Semiótica Filosófica.
- Exercícios: Têm a dupla função de instanciar as discussões teóricas apresentadas, permitindo ao leitor aplicar os conceitos, além de avançar aspectos da bibliografia dos autores que, pela brevidade deste livro, não foram completamente explorados.
- Para saber mais: Oferece sugestões de leituras complementares para estimular o estudo aprofundado, sempre que possível em português.
- Referências: Listam as fontes citadas direta ou indiretamente. Quando não há referências específicas para traduções em português ao final de cada capítulo, as traduções dos textos citados são de nossa responsabilidade.
O público-alvo do livro inclui graduandos e pós-graduandos na grande área das Ciências Humanas. Por sua dualidade, pode servir tanto à Filosofia quanto às Letras, Comunicação e Artes. Se o livro é especialmente útil para disciplinas de Linguística, Semiótica e Filosofia da Linguagem, também ele o será para Antropologia, História e Psicologia, notadamente em Psicanálise. O conteúdo foi desenvolvido para leitores interessados nas teorias de Lévi-Strauss, Lacan e Foucault, com foco na análise filosófico-estrutural dos fenômenos de significação.
O livro evita jargões excessivos e inclui exercícios práticos, tornando-se acessível para iniciantes, mas útil também como referência para leitores mais avançados. Dado que os autores estruturalistas são conhecidos por seu formalismo rigoroso, o que os aproxima aos pós-estruturalistas em dificuldade, nosso livro busca facilitar o contato com suas ideias, a fim de preparar os leitores para estudos mais avançados.
Este livro, em suma, é uma introdução à interface entre Filosofia e Semiótica no contexto das Letras Francesas, que categorizaremos como “Semiótica Filosófica Estruturalista”. Com ênfase nas contribuições de Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault e Jacques Lacan, além de apresentar conceitos-chave desses intelectuais, o livro estimula a aplicação prática de suas ideias por meio de exercícios. Ao propor leituras complementares, esperamos fomentar o aprofundamento no estudo da Semiótica e da Filosofia, contribuindo para a expansão do repertório acadêmico e cultural de nossos leitores nessa área multidisciplinar fascinante, que tanto historicamente influenciou as universidades paulistas, sobretudo nas Humanidades.

Este livro é produto de pesquisa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (COS-PUC-SP). O livro deriva dos trabalhos do grupo de pesquisa Palavra e Imagem em Pensamento (CNPq); de bolsa de Doutorado pela chamada CNPq no 07/2022 – Apoio à Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação, Ciclo 2022, Processo 140792/2022-8, de número e título 404142/2022-2 – Inovação e convergências tecnológicas fase 2: novas perspectivas de reflexão sobre a hipermídia e a produção de conhecimento nos processos comunicacionais, Área 1. Diversidade socioeconômico-étnico cultural, de gênero, empresarial e organizacional, e de bolsa de produtividade em pesquisa CNPq, A Filosofia da Significação em Roland Barthes: uma hermenêutica à luz de Sartre, processo 303452/2021-8.
Leda Tenório da Motta é tradutora, crítica literária e professora universitária. Como tradutora literária, destacam-se obras de La Rochefoucauld, Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Francis Ponge e Nina Berberova, abarcando teóricos como Éric Rohmer, Julia Kristeva e Jacques Derrida. Como crítica, tem passagem pelos mais importantes cadernos de cultura brasileiros, como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Depois de ter passado pela Unesp como professora de Literatura Francesa, desde 1996 é professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (COS-PUC-SP), além de integrar o Réseau International de Recherche Roland Barthes. Publicou pela Contexto Semiótica Francesa: manual de teoria e prática e Filosofia e Semiótica: Lévi-Strauss, Foucault e Lacan.
Marco Calil é bacharel, licenciado e mestre pela Universidade de São Paulo (USP). Sob orientação de Leda Tenório da Motta, é doutorando pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (COS-PUC-SP), junto ao qual vem atualizando a bibliografia no Brasil em Semiótica, Pós-Estruturalismo e Filosofia Francesa, com destaque para Semiótica Asiática e partes pouco estudadas de Jacques Derrida. Também vem trabalhando na introdução de François Laruelle ao público brasileiro. Publicou pela Contexto Semiótica Francesa: manual de teoria e prática e Filosofia Semiótica: Lévi-Strauss, Foucault e Lacan.

